Fraternidade e sociedade de mercado – Uma contribuição da Sociologia

Fraternidade e sociedade de mercado – Uma contribuição da Sociologia

Fraternidade e sociedade de mercado
– Uma contribuição da Sociologia –

Pedro A. Ribeiro de Oliveira* 

Introdução

Neste simpósio que faz a recepção da Encíclica Fratelli Tutti (FT), fui convidado a colocar em relevo a contribuição da Sociologia na análise de Francisco sobre a realidade atual. O papa, porém, não usa categorias sociológicas: ele parte da experiência vivida que o sintoniza com seus leitores e leitoras, para assim compartilhar a mesma percepção do real. Para exortar à fraternidade e à amizade social em escala planetária, a escolha de Francisco foi inquestionavelmente acertada. Ele parte da experiência vivida para chegar à política conduzida desde e para as periferias sociais como melhor caminho para a concretização da Amizade Social. Fica, porém, uma pedra de tropeço: Francisco nos convoca a construir um mundo fraterno, mas não explica por que isso é tão difícil, quase um sonho. Por isso corre o risco de se reduzir a um desejo piedoso se não resolver o problema de fundo: por que é tão difícil sermos irmãos e irmãs no mundo de hoje?

Se essa questão não for devidamente enfrentada, não haverá como elaborar um projeto realista de transição da atual sociedade onde reina o individualismo a uma sociedade onde reine a fraternidade universal. Na busca de uma resposta convincente a essa questão de fundo, apresento aqui a contribuição da Sociologia, entendida como Ciência do Social. Não tenho, é claro, a pretensão de resolver todo o problema, mas acredito que se não levarmos a sério a análise estrutural da sociedade atual, o sonho de Francisco não poderá ser realizado.

Tendo em vista que a finalidade desta obra é levar adiante o Ensino Social da Igreja, organizei minha exposição em duas partes. Partindo do pressuposto que a Encíclica já é conhecida de quem me lê, apresento sucintamente suas principais contribuições ao encaminhamento de uma prática política baseada na Amizade Social. Termino essa parte apontando sua dificuldade em explicar o individualismo hoje triunfante. Passo então à segunda parte, onde apresento o referencial sociológico capaz de explicar a ausência da fraternidade e da amizade social nas modernas sociedades de mercado. Concluo indicando como a teoria sociológica pode ajudar o Ensino Social da Igreja no encaminhamento de propostas políticas viáveis, e assim avançar na construção de uma sociedade regida pela Amizade Social.

Espero assim contribuir para uma recepção criativa e de impacto estrutural no pensamento e na prática sociotransformadoras de quem deseja viver num mundo regido pela Justiça, Paz e Harmonia com a grande comunidade de vida do nosso Planeta.

* Leigo católico, nascido em 1943, doutor em sociologia, foi professor nos Programas de Pós-Graduação em Ciência/s da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora e da PUC-Minas. É membro de Iser-Assessoria e da Coordenação do Movimento Nacional Fé e Política.

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