Elege os Pobres

Elege os Pobres
Por: Jornal São Paulo

De 08 a 15 de novembro, celebra-se a IV Jornada Mundial dos Pobres, instituída pelo Papa Francisco, que ao criar o evento, pediu aos fiéis uma reação “à cultura do descarte e do desperdício”. E convidou a todos, independentemente de crença, a manifestar solidariedade. O tema é “Estende a tua mão ao pobre” (Sir 7,32).

Francisco convida a Igreja para olhar, refletir, agir, rezar e estar com os pobres. Na mensagem deste ano ele diz: “O encontro com uma pessoa em condições de pobreza não cessa de nos provocar e questionar. Como podemos contribuir para eliminar ou pelo menos aliviar a sua marginalização e o seu sofrimento? A comunidade cristã é chamada a coenvolver-se. (…) Não podemos sentir-nos tranquilos, quando um membro da família humana é relegado para a retaguarda, reduzindo-se a uma sombra. O clamor silencioso de tantos pobres deve encontrar o povo de Deus na vanguarda.”

No Brasil, no período de 2014 a 2018, a renda dos 40% mais pobres caiu, em média, 1,4% por ano. O número equivale a 85 milhões de pessoas em situação de empobrecimento. Já a parcela do 1% mais ricos do país teve, em 2019, renda média mensal 33,7 vezes maior do que da metade mais pobre da população. Também o país está mais pobre, deixando de figurar entre as dez maiores economias do mundo!

Houve um alívio temporário ao longo de 2020 com a renda emergencial. No início, quando foi criada, o Executivo queria pagar apenas R$ 200, enquanto a oposição defendia o equivalente a um salário mínimo. Foi quando se chegou aos R$ 600. Mas o governo cortou o valor pela metade e com o fim do benefício, em dezembro, as pessoas voltarão a uma situação ainda pior, pois a pandemia tem sido mais grave para os mais vulneráveis, principalmente, com relação aos empregos.

Diante desse quadro, a CNBB confiou à Cáritas Brasileira a animação e a mobilização do Dia Mundial dos Pobres no domingo. A proposta é estar com as pessoas em situação de pobreza, rezar com elas e também lutar por políticas públicas, econômicas, reforço dos programas sociais e ações de erradicação da extrema pobreza e combate à desigualdade social.

Providencialmente, nesse mesmo dia se realizam as eleições municipais. O cenário de crise moral, política e econômica exige mudanças e as eleições ganham maior importância nesse contexto. Na semana em que, mais uma vez, o Presidente assombrou e envergonhou o País ao festejar a morte de um voluntário porque levaria a interromper a pesquisa por uma vacina contra a Covid-19, fez declarações sexistas e provocou uma enxurrada de piadas ao insinuar uma guerra contra a maior potência bélica do mundo, o cidadão precisa lembrar-se que seu voto tem consequência. Cada voto contribui para mudar o cenário nacional a partir do poder municipal!

Para os católicos, as orientações para esse momento têm por base a Doutrina Social da Igreja e os próprios ensinamentos de Jesus, cujo preceito é: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,11) Não cabe votar em quem semeia a cultura da morte e das armas, que faz uso do poder econômico e quem manipula a Palavra de Deus e os símbolos religiosos como estratégia eleitoral. Por outro lado, deve-se eleger quem assume a opção pelos pobres, sua defesa e sua promoção, não apenas nas promessas, mas principalmente, ao longo da história e nos seus momentos mais desafiadores, como o que estamos vivendo.

Eduardo José Crochet

Juiz de Fora