SETEMBRO MÊS DO GRITO DOS EXCLUÍDOS VIDA EM PRIMEIRO LUGAR!

SETEMBRO MÊS DO GRITO DOS EXCLUÍDOS  VIDA EM PRIMEIRO LUGAR!
Arte oficial do Grito 2020

Setembro Chegou! Mês de comemoração da Independência do Brasil, um dos principais feriados nacionais brasileiros, comemorado no dia 07 de setembro, com toda a pompa dos desfiles oficiais. Mas, setembro também é tempo de primavera, que lembra flores, vida e a ousadia das classes populares para ocupar o final dos desfiles cívicos de 07 de setembro mostrando a realidade de um país desigual em que a maioria da população pobre é excluída dos direitos básicos à vida e à dignidade humana.

Foi assim que o Grito dos Excluídos passou a fazer parte das comemorações extraoficiais em todo o Brasil. Tudo começou em 07 de setembro de 1995, com um conjunto de manifestações populares ao longo da semana da Pátria e no dia do desfile cívico. Aconteceu em diversos Estados e Cidades do Brasil, uma grande marcha dos excluídos da sociedade, para denunciar os mecanismos sociais da exclusão e propor caminhos alternativos para uma sociedade mais inclusiva.

A origem do Grito dos Excluídos vem da segunda semana Social Brasileira realizada em 1993 e 1994. E neste ano, o 26º Grito dos Excluídos está sendo organizado em consonância com a 6ª Semana Social Brasileira, promovida pela CNBB que anuncia o mutirão pela vida, por Terra, Teto, Trabalho e Participação, no período de 2020 a 2022.

O Grito dos Excluídos é uma iniciativa ligada à CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e agrega diversos movimentos sociais, Fóruns de luta e outras denominações religiosas, tornando-se uma inciativa ecumênica. Com criatividade mostram o descaso dos governantes em cumprir os direitos sociais conquistados por lutas históricas, em especial, os previstos na Constituição de 1988, que ainda não se efetivaram na prática para os mais pobres e vulneráveis.

O tema e o lema do 26º Grito dos Excluídos de 2020, A vida em primeiro lugar! Basta de Miséria Preconceito e Repressão. Queremos Trabalho, Terra, Teto e Participação, dialogam criticamente com a situação da crise social, econômica, política e ambiental do país, que é anterior à pandemia e se agrava enormemente com ela. São mais de 115 mil irmãs e irmãos mortos pela Covid-19, sem falar das dezenas de milhões de pessoas desempregadas e com relação de trabalho precarizada. O incêndio de nossas florestas; a contaminação de nossas águas e a destruição de nossa natureza são muito graves e ameaçam a vida humana e não humana do planeta. Por isso o grito maior é pela VIDA tão banalizada pelo governo atual que age em descompasso com a ciência e as orientações da Organização Mundial de Saúde.

A conjuntura econômica atual está imersa numa “tempestade perfeita”: recessão, desemprego em massa, aumento da informalidade, restrição de direitos etc que afetam diretamente a população mais pobre. Em contrapartida, dados da ONG OXFAM, revelam que 42 bilionários brasileiros, em quatro meses, durante a pandemia enriqueceram R$ 176 bilhões. Por isso qualquer perspectiva de um futuro de inclusão das classes populares e dos vulneráveis depende da luta pela mudança do modelo econômico atual baseado na escassez para os pobres e vulneráveis e na fartura para uma minoria de bilionários. Essa lógica econômica precisa mudar no pós-pandemia, sob pena de não existir futuro para a humanidade.

O Grito dos Excluídos é também um alerta à sociedade, aos governos e às corporações econômico-poluidoras, para o descaso com que tratam a Natureza e população mais empobrecida e vulnerabilizada do nosso país: as classes sociais habitantes das periferias urbanas, a população negra, as mulheres, os povos tradicionais, a população em situação de rua, os quilombolas, a população LGTBQI+ que sofrem as violações e os principais danos de um modelo de desenvolvimento voltado para o lucro e acumulação e NÃO PARA A VIDA! Uma nova economia é preciso, como indica o papa Francisco. Uma economia de Clara e Francisco: solidária e para o Bem Comum.

O Grito “a vida em primeiro lugar” só será possível com a mudança do modelo econômico neoliberal injusto e depredador da natureza, em curso no país, por um novo modelo econômico que inclua a todos e, portanto, coloque a vida à frente da especulação e da financeirização do capital. Essa economia neoliberal, não interessa às classes populares, porque funciona a favor de poucos. O Papa Francisco fala de uma economia da abundância, que garanta direitos básicos historicamente negados ao povo mais pobre como: alimentação digna, moradia, emprego, saúde, educação e segurança pública. Para isso é necessária muita organização e consciência para fazer a luta política e organizativa a favor de uma sociedade inclusiva e do Bem-Viver.

Temos um cenário político de mudanças radicais e antidemocráticas no mundo com a eleição de governos de ultra direita e alguns deles, como no caso do Brasil, de perfil autoritário, fascista e genocida. Esses governos têm atuado em vários países para enfraquecer e até mesmo acabar com as políticas sociais conquistadas pela classe trabalhadora, como aconteceu no Brasil, logo após o golpe de 2016, com a reforma trabalhista, da previdência e as restrições nos gastos primários impostos pela Emenda Constitucional 95 (que inclui todos os gastos sociais). Mas também temos resistências importantes no mundo de muitas vozes que se levantam e lutam pela defesa da democracia, pelo fim da política de ódio estimulada, pelo respeito e garantia de direitos das populações: indígenas, quilombolas, sem terra, sem teto, moradores de rua, encarcerados, idosos, população negra e outras tantas que estarão unidas para o grande Grito: Vida em Primeiro Lugar.

Com criatividade e todos os cuidados pela defesa da vida teremos ações presenciais e virtuais por todo o Brasil, soltando nossos gritos e fortalecendo as ações de solidariedade que ocorrem nesse momento de pandemia. Ao cristão não é permitido ter medo, nossa missão é construir um Reino de Paz e Justiça neste tempo histórico concreto. Que a primavera de setembro nos torne ainda mais sensíveis e comprometidos com a luta e a organização das classes populares, tendo como horizonte uma nova sociedade da Partilha e do Bem-Viver.

Terezinha Baldassini Cravo