Campanha da Fraternidade 2021: Fraternidade e diálogo

Campanha da Fraternidade 2021: Fraternidade e diálogo

Em dolorida e saudosa homenagem ao Padre Nelito Dornelas.

A pandemia e a morte estão no cotidiano de nossas vidas como nunca estiveram: parentes, amigas, amigos, companheiras e companheiros, a encher de dor e silêncio famílias e comunidades.

O desemprego e a fome, a pobreza e a miséria cercam milhares, milhões de brasileiras e brasileiros. Como disse dias atrás Frei Orestes, vigário da Paróquia Santa Clara da Lomba do Pinheiro, periferia de Porto Alegre, em reunião do Núcleo de Reflexão Política da Lomba do Pinheiro: “A fome está voltando e aumentando aceleradamente. Precisamos reforçar, e colocar como prioridade máxima, o Comitê Popular contra a Fome e o Coronavírus, na ausência de políticas públicas e na falta de ação dos governos.”

A violência e o racismo cercam as comunidades e ameaçam vidas. O ódio e a intolerância circulam nas redes sociais, junto com as Fake News, muitas vezes inclusive em espaços religiosos e de Igrejas. Feminicídios, assassinatos de jovens negros fazem parte do cotidiano das vidas de todas e todos, muitas vezes quase como se já fossem naturais.

Neste contexto de sofrimento e morte, em todos os sentidos, acontece a V Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021, ‘Cristo é a nossa Paz: Do que era dividido, fez uma unidade’ (Ef,2, 14ª) – ‘FRATERNIDADE E DIÁLOGO – COMPROMISSO DE AMOR’.

“A paz é nosso horizonte. Ela passa necessariamente pelo enfrentamento das desigualdades econômicas”, escreve a Pastora Romi Bencke, Secretária Geral do CONIC, na Apresentação do Texto-Base da V CFE. “Ela (a paz) passa necessariamente pelo enfrentamento das desigualdades econômicas. Todos sabemos que o Brasil é um dos mais desiguais do mundo. Aqui, a elite econômica, formada por 1% das pessoas mais ricas, não sente mais constrangida em ganhar 33,7 vezes mais do que os 50% mais pobres da população brasileira. Como falar de paz, quando pessoas passam fome e não têm trabalho, nem terra e teto? Como falar em paz, sem denunciar essas injustiças econômicas, sociais e ambientais?”

Escreve ainda a Pastora Romi: “Cada uma das Campanhas da Fraternidade Ecumênicas sinaliza que o diálogo é o nosso melhor testemunho. A fé nos lembra que Cristo é nossa paz e nos anima a prosseguir pelo caminho da unidade na diversidade. A Boa-Nova do Evangelho nos une e acolhe nossas diferentes experiências de testemunho cristão. A escolha por testemunhar a fé vivida em diversidade desafia-nos para realizar a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021. Com ela, afirmamos que a fraternidade e o diálogo são compromissos de amor, porque Cristo fez uma unidade daquilo que era dividido. “

Nesta conjuntura de 2021 e no contexto da ‘Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor’, o Movimento Fé e Política está convocado para a solidariedade e a unidade como elementos centrais para os tempos que vivemos. Há muito o que fazer. As Frentes Populares, as Centrais Sindicais, os movimentos sociais e populares, as Igrejas trazem para a ação, a luta e a mobilização imediatas, urgentes e necessárias, três palavras de ordem unitárias: VACINA JÁ! AUXÍLIO EMERGENCIAL E EMPREGO JÁ! FORA BOLSONARRO JÁ! A Sexta Semana Social Brasileira grita TERRA, TRABALHO E TETO, UM MUTIRÃO PELA VIDA! Reunião em 3 de fevereiro, com apoio da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Social Transformadora da CNBB, dentro das ações da Sexta SSB, e com presença ampla de organizações sociais e políticas, decidiu construir, de forma unitária, o COMITÊ PELO BRASIL e afirmar o PACTO PELA DEMOCRACIA. E há ainda a celebração em 2021 do centenário e o resgate da pedagogia libertadora do cristão e educador popular Paulo Freire, com o ESPERANÇAR AMÉRICA LATINA.

Há, pois, muito o que fazer em 2021. O Movimento Fé e Política, no espaço nacional, nos espaços estaduais e locais não só deve apoiar e contribuir com todas estas iniciativas, como seus militantes devem estar na linha de frente, assinando em baixo de todas as propostas, ajudando a organizar as ações, e participando diretamente das lutas e as mobilizações. O tempo urge: promover a fraternidade e o diálogo, o compromisso com a vida e o cuidado com a Casa Comum.

Assim, o Movimento Fé e Política junta-se às palavras finais da Pastora Romi, na Apresentação do Texto-Base: “Ecoando o Hino da CFE 2021, convidamos todas e todos a participarem desta grande ciranda ecumênica do diálogo e do amor: ‘Venham todas e todos, vocês, venham todas e todos/, reunidas-os num só coração (cf. At 4, 32)/, de mãos dadas formando a aliança,/ confirmadas-os na mesma missão’.”

Selvino Heck

Membro da Coordenação Ampliada Nacional e da Coordenação RS do Movimento Fé e Política

Fevereiro de dois mil e vinte um