Análise da realidade: estrutura e conjuntura

Análise da realidade: estrutura e conjuntura

Apresentação

Análise de conjuntura = processo que muda a estrutura 

Estrutura: permanece (esqueleto) / Conjuntura: muda (carne).

Analisar a conjuntura nacional dentro da grande realidade:

  • do Planeta
  • da Geopolítica mundial
  • do Brasil

No final Tendências: dominante / alternativa

Apresentação

“Pessimismo na análise, otimismo na ação” (A. Gramsci)  Distinguir âmbitos estruturais no tempo e no espaço:

  • a Terra e sua comunidade de vida (tempo longo = séculos);
  • o sistema-mundo (tempo histórico = décadas) e
  • o Brasil: sociedade, política, cultura e economia (= semanas).

Só para fins de análise: separar as diferentes conjunturas.

A realidade local  é determinada

  • pelo estado da Terra (a longo prazo) e
  • pela geopolítica do sistema-mundo (a médio prazo)

1.  A Terra e sua comunidade de vida

Terra caminha para Catástrofe climático-ambiental até 2050 >

  • 6ª grande extinção de espécies (dizimação da esp. Humana?)
  • aumento de CO2 na atmosfera, desertificação de solos e oceanos
  • degelos (geleiras, polos, permafrost)
  • Ter consciência de que:
  • a Terra e sua comunidade de vida é sujeito vivo, não é coisa;
  • o tempo da Terra é longo (2 séculos são quase nada);
  • questão ambiental é questão política;
  • o decrescimento da economia (mundial e local) é inevitável Ø Cumprir Acordo de Paris (mínimo) / estabilizar ou diminuir CO2 (ideal)
  • Preparar um modo de produção pós-catástrofe e pós-capitalista.

2. Geopolítica: sistema-mundo capitalista

  • Fim do ciclo de acumulação capitalista puxado pelos EUA no século 20 > transição para um novo ciclo, puxado pela Ásia (China/Índia)
    • Aumenta poder das megacorporações (inclusive sobre os Estados)
    • Riqueza concentra-se em 1% da população humana (classes opulentas) Crise econômica: repique de 2008 agravada pela pandemia do covid-19.
    • pobreza, fome, miséria e migração crescem muito na pandemia.

***

  • desde o séc. 16 as transições no sistema-mundo (Cidades da Itália > Amsterdam > Londres > N. York) mostram um padrão: financeirização do capital / guerras / mudança de centro / inovação no modo de produção.

2. Sistema-mundo capitalista hoje

  • Guerras: locais, étnicas, contra drogas / de 4ª geração / nuclear ?
  • Polos: EUA / China / Índia / União Europeia / Rússia / Japão

(Brasil:  perdedor > alinhado com potência em declínio)

  • Economia: China no centro > capitalismo verde e de 5ª geração = 4ª revolução industrial: tecnologia 5G e Inteligência Artificial
  • Cultura: fim da hegemonia ocidental-cristã > reação fundamentalista Política: neoliberalismo desemboca em regimes autoritários: ideologia tradicionalista e enrijecimento dos Estados nacionais em declínio.
  • Na contramão: Movimentos: adolescentes / indígenas / antirracismo / direitos LGBTs / precarizado/as com protagonismo feminino

3. Brasil: forças dominantes

Capital financeiro + produtivo (agronegócio, indústria, serviços):

  • Expressão: Mídia corporativa (Globo, Folha, Estadão)
  • Ideologia ultraliberal (P. Guedes): privatizações, liberdade de mercado, precarização do trabalho, isenções fiscais, privilégios, rentismo
  • Estado: oferecer segurança e apoio no comércio.

Capital de rapina (apropriação privada de bens comuns/públicos)

  • Expressão: SBT, Record, Ratinho, religiosos de direita e grupos de ódio
  • Ideologia necropolítica (Bolsonaro): pandemia é oportunidade (Salles), apoio de militares, milícias, gabinete do ódio e fascistas.

65 US$ bilionário/as e 40 a 50.000 famílias muito ricas (> R$ 189 mil/mês) Classe média: 4 milhões de famílias > R$ 7.425 a R$188,9 mil.

3. Brasil: forças de resistência

  • Resiliência de antigos Movimentos (Indígenas, Partidos, Sindicatos, MST, Mulheres, Negros etc) e emergência de novas forças: coletivos (LGBTs, adolescentes, precarizados, etc);
  • Oposição à necropolítica: intelectuais, artistas, estudantes e setores de

Igrejas cristãs (inclusive bispos, padres e pastores);

  • Manifestações (de rua e virtuais): antirracista, contra a violência (policial, à mulher e outras formas) > respaldo de redes virtuais;
  • Reações no Congresso, setores do Judiciário e Governos estaduais;
  • Eleições 2018 municipais consolidaram Centrão, mas esquerda está viva; Ø Disseminação da economia solidária: alternativa à economia capitalista; Ø Ações de solidariedade: na pandemia muitos grupos organizados.

3. Brasil: raízes da crise política

  • 2002: pacto PT / classes opulentas (70 mil famílias): desenvolvimentismo social X suspensão das reformas estruturais e da auditoria da dívida pública.
  • 2008: crise financeira e geopolítica > opulentos em coalizão com corporações e aparato de segurança dos EUA > 2013: rompem o pacto de 2002.
  • 2016: Golpe Judiciário, Legislativo e militar (Temer – PSDB): privatização (Petrobrás e outras), submissão aos EUA, teto de gastos sociais. Imobilização dos setores populares / democráticos.
  • 2018: Temer não dá conta > Opulentos rendem-se a Bolsonaro = milícias (digitais e armadas), militares (corporativismo) e fundamentalismo.

Bolsonaro = estropício para pretensa elite, mas garante economia: capitalismo de rapina / ultraliberal (a curto prazo muito lucrativo).

3. Brasil: cenário político atual

  • Instituições políticas (Governos estaduais, Judiciário e Congresso) fragilizadas entram tarde na luta x o genocida > CPI é a chave.
  • Política: Partidos mais fracos que Bancadas sob hegemonia do Centrão movido a $ (corrupção). Exército ganha força política.
  • Lula: emerge como liderança. Novo pacto de governabilidade?
  • Entidades da sociedade civil: semi-imobilizadas (temor ao PT).
  • Mídia corporativa: crítica ao presidente, poupa P. Guedes e militares.
  • Igrejas: evangélicas com presidente, católica dividida, só os setores ecumênicos estão politicamente mobilizados
  • Movimentos sociais: confinados pela covid e pela penúria (ativos nas redes digitais > atividades de formação)

Conclusão: tendência mais forte hoje

Brasil: Governo ultraliberal (instaurado pelo golpe de 2016) se manterá

  • Estado subserviente ao Capital (concentração da riqueza), inação diante da pandemia, repressão às classes trabalhadoras e devastação ambiental.

Sistema-mundo: transição do polo mundial para a Ásia (China)

  • Capitalismo verde de 5ª geração: controle social e produção regida pela informática > vitória definitiva do Capital sobre o Trabalho (IA).
  • Cortina de ouro: mundo da minoria rica (0,01% + 10%) dessolidarizada da maioria empobrecida > condenada à morte.

Terra e sua comunidade de Vida

  • Aumenta seu desgaste. Sinais: eventos climáticos extremos, desertificação, aumento do CO2 e do degelo, covid-19 e novas pandemias.

Outra Conclusão: tendência alternativa

Para ganhar protagonismo político e mudar o rumo da História:

  • Consciência de serem sujeitos da própria libertação (Paulo Freire,

Teologia da Libertação, Leitura popular da Bíblia, decolonialidade etc);

  • Organização desde as bases (grupos locais) com Democracia Ø Economia solidária desde a base até o âmbito macroeconômico
  • A sabedoria do Bem-Viver: modo de produção oriundo da Periferia.
  • Provável momento de ruptura: caos social (pandemia, dólar, clima) Ø Até lá será tempo de lutas, perdas e mortes > Esperançar!

“Combatentes derrotados de uma causa invencível”