Cordel do 11º Encontro Nacional de Fé e Política

Cordel do 11º Encontro Nacional
Cordel do 11º Encontro Nacional

Cordel de Graça Andreatta, do Movimento Fé e Política do ES, escrito no 11º Encontro Nacional realizado em Natal/RN nos dias 12 a 14 de julho.

por Graça Andreatta.

Foi há 30 anos
Começou pelo Brasil
Esta coisa que nem sei
Onde muitos que lá estavam
Gente de que sempre gostei
E hoje estão aqui também
Meninos, meninas, eu vi
Vivi e vivenciei
Amigos que estão aqui
E ali, que sempre amarei.

Tanto sal comemos juntos,
Açúcar? Mais separados
Viajamos, descemos, crescemos…
Subimos montanhas de ideais
Buscamos uma terra sem males
Buscamos viver e bem viver
Que tá difícil até demais
Mas vamos ter que aprender.

Nestes 30 anos, cartilhas de formação,
História, cursos, encontros
Que trouxeram mobilização
Cantos, cantares, cantores, compositores
Poetas bons e sonhadores
Jovens que encaram a vida
Vivida por todo o País
Com amor, sede de justiça e valores.

Há nomes tradicionais
Que apesar de todos os pesares
Não largaram a mão de ninguém.
Há os que vêm depois
E que se adaptam também.
Havia os Ivos, Selvinos e Robsons
Os Césares, Gilberto Carvalho, também
Fortalezas da resistência…
Muito homem…
Mulheres caladas ou não
Tinha gente pra… se amar… além.

A juventude chega animada
Traz novidades, alegria;
Vem gente de toda idade
Padres, freiras, pastores
Missionários de verdade
Leigos, religiosos, ateus e agnósticos
Tentando com alegre caridade
Promover a harmonia.

Uns querem debater ideias
Outros a culpa que carregamos
Depois que a árvore da vida
Que dizem que era maçã
Foi violada, convenhamos:
Cada um pensa de um jeito
Gente boa ruim ou querida
Às vezes se enrola um pouco
Uns procuram só os defeitos
E até alguma ferida.

Há de tudo por aqui:
Gente alegre sempre somos
Em comunhão esquecemos
Ofensas, medos, porque
A tal felicidade que sonhamos
Está sempre onde a pomos
E segundo algum poeta
De quem agora esqueci o nome
A felicidade é uma meta
Que atinge mulher e homem.
Que realmente está sempre
No lugar onde a colocamos
Mas como somos rebeldes
Às vezes contra nós mesmos
“Nunca a pomos onde estamos”.

A delegação capixaba
Abraça você e você
Gritamos bem alto nosso sonho
De luta pelo bem viver.
Amamos cada um,
Cada uma que aqui e ali
Levam nosso abraço ao mundo
Lá onde seu sonho está
Pois o encontro foi uma maravilha
Mas ainda vou avaliar.

E…
Chegamos e fomos pra rua
Apesar do cansaço da viagem
A cidade linda esperava
Nossa alegria e coragem.
Visitamos o caminho
Zezé, Dolide e eu,
Fomos logo bater perna
Conhecer o IFRN
Mas, na frente tinha um shopping
Caro como os daqui
Prisão para ver vitrine
E comprar longe dali.

À noite, variar comida
Queríamos o famoso camarão
Alguns comeram no shopping
Outros no hotel ou na rua
Mas, em vista da comida capixaba
Que sempre esfolou o pobre
Ali se come mais barato
E a gente experimentou
Cada dia um novo prato.

A gente se “mandou” pra rua
Na manhã de sexta feira
Fomos pra Ponta Negra
Lindo mar, lindas dunas, terra nua
Comércio retrata a terra
Economizar é nossa meta
Zezé, Dolide, Terezinha e eu
Elas compraram pras netas.

Eu pro filhote e amigos
Pena que o dinheiro não deu
Pra tudo que eu queria
Tanta gente que amo
E só tenho minha alegria!

De Ponta Negra retornamos
Depois de uma lauta refeição
O camarão com cabeça,
O risoto sem camarão
Mas uma cervejinha gelada
E esquecemos a pequena corrupção (?)

Descansamos para a noite
Abraços a amigos antigos
Rever, conhecer, abraçar
Sorrir, cantar, refletir, jantar
Minas, Rio e muitas andanças
Quanto barulho de amigos
De perto, de longe, de lá
O barulho da esperança.

Tinha até o arcebispo
Uma vereadora bem falante
Pastores, doutores, gente jovem
Neste Brasil caminhante
Tinha o sonho se juntando
Refletindo a Verdade
Sonhando com remontar
A perdida liberdade.

Alguém perdeu a roda
Num estouro assustador
Helena Rosa deu um jeito,
Foi buscar no Alecrim
A rodinha do amigo
E na moto retornou…
Aventuras com a Helena
Sempre são boas assim.

Dolide se empina
E resolve a confusão
Quando não se sabe onde ir
Na discussão e dúvida, um luxso”.
Ela sai altaneira na frente
E quem quiser que siga também (rsrs).
E a gente vai atrás.
Dá sempre certo no final
Zezé dá um sorriso,
Terezinha vai também
E eu, sigo o fluxo, que tal?

O sábado! Ah… o sábado
Além das constantes alegrias
Dos reencontros e carinhos
Das notícias más e da mídia
Tivemos três “mesas” tão boas
Palestrantes fortes, palavras
Que seria bom publicar
Eu, anotei quase tudo
Daquilo que participei
Como não tenho como contar
Simplesmente multiplicarei

À tarde as oficinas
Muito difícil escolher
O que ouvi de avaliação
Engrandece o Bem Viver
Em cada canto uma equipe
Experiência crescia e variava
Gente que gosta de gente
Nem do cafezinho lembrava.

Todos querem debater
Opinar com ousadia
Incentivando o bem viver
Com verdade e muita alegria

As refeições Variadas
O alarido da energia
Se alguma coisa estava salgada
Se não conheço a comida
Há opção de outro prato
Cuscuz ou arroz com leite
A gostosa carne de sol
O impagável camarão
A vida vivida sem enfeite.

Meu Deus!
Que mar tão lindo!
Que chuva gostosa!
Que linda paisagem!
Que sorrisos tão confiantes!
Eucaristia de verdade !
Cada homem e mulher orante
Que grande camaradagem!

No sábado recebemos alegres
O Ailson que cedo chegou
Animado e solícito
E o encontro continuou
Tereza e Cláudio ansiosos
Pois no domingo em comunhão,
Fariam a sua parte
Nessa grande concentração.
Penha Dalva e Raquel saíram antes
Helena Rosa até contou
Histórias e estórias errantes
De povos que são irmãos
Como todos, são caminhantes.

Não podemos esquecer
O recado da Raquel
É sempre amor pelo canto
É sempre verdade sem “mel”.
A pátria não está fácil
Não dá pra dourar a “corrida”
Canções que falam de amor
De luta, de fé e vida.
Cantemos e, bora pra rua!
Antes que destruam
A nossa terra querida

Maurício, Pedrinho, Tereza
Frei Beto, e tantos outros
Do Brasil quase todinho.
A governadora não pode ir
Mas pude abraçar com carinho
Meu povo de Mariana
E matar saudade antiga
De uma luta bem vivida
De um povo que sempre estende
Mão querida e muito amiga.

Através de quem pôde ir
Mando um abraço a Minas Gerais
Meu povo de Ouro Preto,
Meu povo de Belzonte e Mariana
Márcia , Lúgera, Bruna, Fatinha,
Geraldo, Robson, Pedro, João,
SE faltou alguém me perdoe,
Samir! Não te esqueci não.

Meu povo que viu destruído
Os sonhos lá nos rejeitos
Na mina de Bento Rodrigues
Uma barragem com defeitos.
Povo de muitas lutas
Muita fé no Deus Bendito
Pelo deserto das minas
As Minas Gerais lançam grito.

O crime que destrói cidades
Que lança lágrimas no caminho
Foi completado depois
Pelos Rejeitos em Brumadinho
Por isso, Silene querida
E queridos todos que ficaram
Estamos de mãos dadas
Na luta por justiça
Com a política do Bem Viver
Não esqueceremos o caminho
Contra todo ódio e cobiça

E assim se despede depois
A delegação capixaba
Comungando com Cláudio e Tereza
Com toda a juventude.
Os adultos e os idosos
Que na sua inquietude
Não largam a mão de ninguém
E transformam em Bem Viver
Em luta e amor também
O que para muitos e muitas
Já não é mais virtude. Amém.

Ahhh! Já lá ia esquecendo
Dos capixabas que são
Que são mas não estão
Pois estava lá a Tereza Sartório
De muitas alegrias e vida
O Pedrinho que não é, mas quase
Pois é nosso por “casório”,
Tinha um Cláudio de Colatina
E um Padre, acho que Malvino
Que nem nos abraçamos
Mas haverá abraços, meninos.

Tinha até o Durval Ângelo
Que não reconheci
Mas falei com a Titane
Pra cantar com a Raquel
Pois que é cantora ouvi.
Não vou citar mais nomes
Pois faltou tanta gente ali
Gente que tinha vontade
Mas sem dinheiro não pôde ir.

Eu que tava juntando
Desde o outro em Campina Grande
Ao qual não pude ir
Por motivos “variados”
Que vai da falta de dinheiro
Até os olhos operados
Passa Pelo caminho
Como disse Casaldaliga:
“Que quem faz é o caminheiro“.

Se contar tudo que vi
Que vivi e que anotei
Um caderninho não dá
Mas também calar eu sei.
Pois não conto da cervejinha
Nem do vinho que não tomei
Mas comemos de tudo um pouco
E visitamos o cajueiro
Grande, lindo, esse mundo é louco

É isso:
– Façamos da vida um abraço,
Da luta um canto de amor
Da amizade um forte laço
Construído com sabedoria e calor.
E faça cantar o Brasil
Retornar a alegria
Montar de novo a Nação
Gritar bem alto pro mundo ouvir
Abaixo-assinado mais não.
Bora pra rua irmã!
Bora pra rua irmão!
(Graça Andreatta 19/07/2019
Encontro Nacional do
Movimento Fé e Politica)

Escrito por Graça Andreatta, do Movimento Fé e Política do ES.