1º Encontro de Espiritualidade Político-libertadora

Nos dias 5 e 6 de agosto de 2017, na Comunidade Evangelizadora Magnificat, em Três Corações (MG), foi realizado o 1° Encontro de Espiritualidade Político-Libertadora, promovido pelo Movimento Fé e Política da Diocese da Campanha, assessorado pelo monge beneditino Marcelo Barros.

Participaram deste encontro padres e leigos das Dioceses da Campanha, Guaxupé e Pouso Alegre vindos das seguintes cidades: Varginha, São Lourenço, Caxambu, Pedralva, Três Corações, Santana da Vargem, Jesuânia, Itanhandu, Lambari, Coqueiral, Natércia, Cruzília, Ilicínea, Carmo de Minas, Pouso alegre, Brasópolis, Itajubá, Dom Viçoso, Piranguçu, Guaxupé.

 

Os temas abordados foram: Espiritualidade Político-Libertadora, Doutrina Social da Igreja “comunidade política”, O indispensável compromisso dos leigos na vida pública dos países latinos americanos e Apocalipse: Profecia em tempo de perseguição e violência.

Durante o encontro foi proposto para os participantes que pensassem três maneiras de ser cristão hoje, em nossas dioceses e na síntese geral foram apontados:

– Uma Igreja-comunidade que viva na simplicidade, ser pobre com os pobres, colocar as energias e os recursos onde é necessário; como Amós, ser simples, profética e livre;

– Uma Igreja servidora, tendo o poder como serviço, mais participativa em suas estruturas, instâncias e processos, que ensine os cristãos a atuar na dimensão política como serviço ao Reino de Deus e ao seu povo; discernir o papel da Igreja e o do Estado;

– Uma Igreja inclusiva, pensando nas mulheres, nos leigos, nos migrantes, nos pobres e marginalizados, casais em segunda união, separados, concepções de família (solteiros, viúvos, irmãos etc.); igreja missionária, em saída.

Marcelo Barros colocou ao grupo que foi uma boa coincidência encerrar o encontro com o evangelho da Transfiguração de Jesus e ocorra justamente no domingo em que realizamos o encontro sobre Fé e Política da Diocese de Campanha.

Ressaltando durante a homilia que “Tanto os grupos de Marcos e Lucas, como a comunidade de Mateus colocam o relato do que se costumou chamar a “transfiguração” (em grego metamorfosis) de Jesus, quase imediatamente após a cena de Cesaréia de Filipe, quando Jesus pede aos discípulos uma espécie de confissão sobre como veem a pessoa dele.

O texto salienta que isso se deu “seis dias depois”. Seis dias depois que Jesus anuncia sua decisão de cumprir sua missão através do sofrimento e da cruz, ocorre essa cena da transfiguração.
– A transfiguração (o texto grego chama de “metamorfose”) só tem seu sentido completo após à ressurreição, ou à luz desta fé. É uma experiência mística de três discípulos que Jesus escolhe para compartilhar da sua intimidade com o Pai. A transfiguração é uma visão que os discípulos têm. Eles é que são chamados a transformar (metamorfosear) a sua visão sobre Jesus.

A cena começa centrada em Jesus, mas acaba revelando um jeito de ser de Deus. Ele é Pai e aproxima-se de nós como amigo. O centro dessa passagem é a palavra de Deus: “Este é o meu Filho muito amado, no qual coloco todo o meu agrado, todo o meu prazer. Escutem-no”.

Essa palavra é praticamente a mesma dita por Deus ao profeta a respeito do Servo Sofredor de Deus (Cf. Is 42, 1ss). Ora, no caso do Servo Sofredor, Deus escolhe um escravo na Babilônia, símbolo e figura de todo o Israel reduzido à escravidão para dizer que será essa pessoa – o instrumento da libertação do povo e o mediador de uma nova aliança entre Deus e a humanidade. O servo sofredor será luz para todas as nações (Is 42, 1- 7; 49, 1- 6, etc). Aplicar essa mesma palavra dita a Israel, servo de Deus na Babilônia, a Jesus nessa hora (nesse contexto do evangelho) é da parte de Deus a confirmação da vocação de Jesus de ser filho amado de Deus, justamente pela doação de sua vida e pela sua solidariedade aos deserdados do mundo, que em sua época, e em todas as épocas do mundo, constituem um povo de crucificados.

Na Transfiguração de Jesus, o Pai revela sua presença (sua glória) na pessoa de Jesus que marcha para Jerusalém, para a cruz. Não porque o Pai queira que seu Filho morra ou queira legitimar ou santificar a cruz – seria um Deus masoquista ou sádico, cruel – mas porque, sendo que os impérios do mundo provocam cruz e morte, Deus acompanha e confirma o testemunho do seu Filho e revela que está com ele até a cruz.
A gente vive a experiência da transfiguração quando consegue perceber a luz divina presente e atuante em nossas lutas e em nossos sofrimentos”.