Histórico do Movimento Nacional Fé e Política

COMO NASCEMOS

O Movimento Nacional Fé e Política foi criado em junho de 1989, durante um encontro de pessoas unidas pela Fé cristã engajada nas lutas populares, com o objetivo de alimentar a dimensão ética e espiritual que deve animar a atividade política. Deixar-se animar pelo Espírito de vida, é a essência do Movimento Fé e Política, que não propõe diretrizes para ação política dos cristãos, nem se comporta como se fosse uma tendência político-partidária, mas que luta pela superação do capitalismo por meio da construção de um sistema sócio-econômico solidário e respeitoso da vida do Planeta.

Ao longo de sua existência o MF&P promoveu encontros de estudo, dias de espiritualidade e publicou quinze Cadernos de Fé e Política . Dez anos após sua criação, atento à nova conjuntura dos movimentos sociais, o Movimento passou a promover grandes Encontros Nacionais de Fé e Política.

Por definir-se como um serviço de formação e estímulo a grupos de reflexão, o MF&P não é mais do que um grupo informal de serviço aos grupos de base. Sua organização é muito simples, pois, com exceção da secretária-executiva – que recebe uma ajuda de custo – todos os seus membros são voluntários que arcam até com os próprios gastos de viagem para as reuniões. Sua coordenação geral é formada por seis membros escolhidos entre os antigos militantes mais dois representantes de cada estado dos locais onde foram realizados encontros nacionais. A secretaria-executiva é encarregada de ajudar a equipe do local onde será realizado o Encontro, produzir e publicar textos que ajudem a reflexão dos grupos, alimentar a página do Movimento na internet e fazer a articulação geral entre os grupos interessados. O espaço onde tudo acontece de fato é nos grupos de base. O Movimento apenas lhes proporciona incentivos e ideias.

A CARTA DE PRINCÍPIOS

Para definir-se, o MF&P redigiu no seu primeiro encontro uma Carta de Princípios que ajudasse a marcar sua identidade. Dez anos depois, sentiu a necessidade de reformular um ou outro ponto, para tornar o Movimento mais abrangente, sem, contudo abrir mão dos princípios fundamentais. Uma comparação entre as duas redações mostra que pouca coisa foi mudada, embora pelo menos uma mudança seja muito importante na definição da sociedade que se quer: democrática e socialista (1989), mas também ecológica e planetária (1999).

O Movimento define-se como ecumênico, não-confessional e não-partidário. Embora quem professa a Fé cristã normalmente afilia-se a uma determinada confissão ou Igreja, o Movimento enquanto tal não pertence a nenhuma Igreja, nem a um conjunto de Igrejas cristãs (como são os organismos ecumênicos em sentido estrito). O mesmo se dá no plano partidário: muitos membros do Movimento são afiliados a um Partido, mas não o Movimento enquanto tal.

O Movimento une Fé e Política na medida em que concebe a política como uma dimensão fundamental para a vivência da Fé e a Fé como horizonte da utopia política. Seu enfoque leva a assumir a causa dos pobres, oprimidos e excluídos, prioriza a conscientização e organização popular, afirma as classes populares como principal sujeito da própria história,compromete-se com o exercício da cidadania ativa e quer construir uma sociedade socialista, democrática, plural e planetária. É interessante notar que a consciência ecológica só entrou na reformulação de 1999, quando foi bastante discutida a permanência do socialismo como proposta de sociedade. Por isso o MF&P anima os cristãos e cristãs que atuam em partidos políticos, sindicatos, associações, movimentos, cooperativas e outras organizações populares, em favor de um outro mundo possível onde, superada a sociedade de mercado, a Humanidade se reconcilie consigo mesma e com a Terra, aproximando-se assim da utopia do Reino de Deus.

Pedro A. Ribeiro de Oliveira
Membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política.

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