Preparar o terreno para o 11º Encontro Nacional

por Pedro A. Ribeiro de oliveira.

Em breve será oficialmente definida a data do próximo Encontro Nacional de Fé e Política, a realizar-se em Natal – RN. Seu contexto político será definido por um governo federal que pretende copiar o modelo da ditadura empresarial-militar de 1964-84, mas também pela irrupção de movimentos com projetos alternativos. Nesse contexto, devemos ter uma visão realista do terreno onde vamos construir o Bem-viver.

Terminada a campanha eleitoral em que fomos movidos pelo otimismo da vontade, chegou a hora de analisar com realismo o que aconteceu, tendo em vista o caminhar daqui pra frente. Neste texto, que apresento como contribuição pessoal, proponho uma estratégia de ação para os próximos meses.

A vitória eleitoral de um Partido improvisado – o PSL – deveu-se sobretudo à promessa de derrotar o que chamou de petismo, sem apresentar algum projeto político alternativo. Agora é patente o desentendimento entre os membros do futuro governo, que só tem em comum o desejo de derrotar completamente o inimigo. Para quem se opõe ao avanço do capitalismo ultraliberal e defende os Direitos Humanos, os Direitos da Terra e a Democracia social e econômica, este é um tempo difícil, marcado por grandes desafios.

Nessa situação, é necessário reconhecer a derrota em âmbito nacional, apesar de não poucos resultados favoráveis. Diante disso, é hora de se buscar um refúgio onde trocar ideias, rever serenamente os erros e acertos – sem acusações recíprocas nem receio de encarar a verdade – e aprofundar os fundamentos políticos e espirituais do nosso projeto de sociedade.

Por hora provavelmente não daremos conta de atender todos os pedidos de socorro vindos de pessoas e grupos que sofrem injustiça. É doloroso, mas tal como nos hospitais de campanha onde não há sangue suficiente para todos os feridos, muitos morrem por falta de transfusão. Talvez aí resida nossa principal dificuldade de lidar com a atual situação: perceber as injustiças que são cometidas hoje sem ter meios para evitá-las.

Ao contrário do que se pode pensar, esse retiro não é perda de tempo. É um recuo estratégico: enquanto as forças adversárias ocupam posições (mesmo brigando entre si!), esse recuo nos permitirá voltar a campo mais fortes do que hoje (e elas muito mais fracas, porque seu desgaste no primeiro ano de governo será inevitável).

Esse tempo que chamo de retiro servirá para fortalecer cada militante, cada liderança, que em pequenos grupos se disponha a acompanhar a conjuntura, fazer estudos e celebrar, e assim retomar o trabalho de formação nos vários espaços de atuação. Fazendo isso, teremos mais força e clareza de ação nos movimentos sociais, igrejas, partidos, sindicatos e outras organizações onde participamos.

É claro que pode haver demandas tão graves – como a reforma da Previdência ou privatizações que violem a Constituição – que nos obriguem a sair do retiro, mas então retornaremos à luta em posição defensiva. E quem se defende tem as forças multiplicadas por dez, desde que sua defesa seja sólida e não se aventure à luta em campo aberto.

Assim, alimentados pela Espiritualidade Político-Libertadora e atentos aos “sinais dos tempos”, nos encontremos em Natal para celebrar e traçar novos rumos para a construção do Bem-Viver no século 21.

Recomendamos a leitura das análises de conjuntura nos sites parceiros do ISER Assessoria, NESP e CESEEP.

Pedro A. Ribeiro de Oliveira
Pedro A. Ribeiro de Oliveira
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