Editorial – Outubro de 2017

Ano Nacional do Laicato

por Daniel Seidel

O Movimento Fé e Política acolhe com alegria a iniciativa da CNBB em promover a partir da Solenidade de Cristo Rei, 26 de novembro, próximo, o Ano Nacional do Laicato.

Com o tema: “Cristãos Leigos e Leigas, sujeitos na ‘Igreja em Saída’, a serviço do Reino” e lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo“; o Ano Nacional do Laicato tem por objetivo celebrar a presença e a organização dos Cristãos Leigos e Leigas; aprofundar sua identidade e vocação, espiritualidade e missão; despertando para o testemunho do Evangelho na sociedade. É um objetivo ousado.

Essa proposta de enfoque na ação pastoral e social resgata a concepção de uma Igreja Povo de Deus, com inspiração no Concílio Vaticano II e a coloca diante dos desafios da missão atual que Papa Francisco tão bem traduziu de uma ‘Igreja em Saída’ na exortação “Alegria do Evangelho” e na encíclica “Laudato Sisobre o cuidado com a Casa Comum”.

É um necessário resgate da graça batismal em sua tripla missão: profética, real e sacerdotal. Significa uma relação de maior maturidade e autonomia dos batizados e batizadas não ordenadas frente ao desafio de fermentar o Reinado de Deus numa sociedade que despreza a vida, tanto humana como do conjunto da Natureza, em função do dinheiro e do lucro.

É também um desafio resgatar o protagonismo dos Cristãos Leigos e Leigas numa Igreja paroquial concentrada no poder hierárquico, na maioria dos casos, clerical. É um forte apelo à conversão.

Dentre as proposições de legado do Ano Nacional do Laicato, a mais desafiadora e que exigirá o engajamento de todas as pessoas de boa vontade, é a realização da Auditoria da Dívida Pública do país. Prevista nas Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988, é tema interditado pela grande mídia brasileira e atinge o cerne da desigualdade social, visto que sangra quase metade do Orçamento Público federal para rolar uma dívida que enriquece os bancos e impõe pesadas restri ções ao financiamento das políticas sociais.

Finalmente, os desafios não terminam por aí, o grande chamamento é para que cada diocese no país elabore um Plano de Formação para o Laicato que contemple formação básica para todas as mulheres e homens que exerçam um serviço na Igreja ou na sociedade; formação teológica-pastoral para as lideranças; e formações específicas, como Escolas de Fé e Política para Cristãos Leigos e Leigas que atuem em Conselhos, Grupos de Acompanhamento ao Legislativo, movimentos sociais e partid os políticos.

Essa é uma tarefa na qual militantes do Movimento Fé e Política podem muito colaborar, dada a consideração que recebeu dos bispos católicos na 54a. Assembleia Geral da CNBB quando foi citado no número 263, letra “e”, do Documento 105: “Manifestamos nosso reconhecimento a várias iniciativas como: (…) Movimento Nacional Fé e Política“, valorizando como uma organização social autonoma que cumpre a missão de formação, espiritualidade e acompanhamento dos cristãos que se engajam no mundo da política, quer seja em movimentos sociais, quer seja na política partidária.

É uma agenda atraente para contribuir desde a base, com a experiência e motivação para realizar novas aprendizagens e sínteses e, assim, seguir na mobilização da sociedade brasileira para o resgate da democracia rompida em 2016, apontando para uma nova utopia inspirada no Bem-Viver.

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