Advento, a Esperança que faz acontecer!

Advento, a Esperança que faz acontecer!
Photo by Joanna Kosinska on Unsplash

Para todos nós cristãos e cristãs, o nascimento de Jesus Cristo é, sem dúvidas, o maior dos acontecimentos da história e o principal momento de intervenção divina na própria criação, visto ter-Se feito um de nós, nascido de uma mulher e vivido a condição humana, menos o pecado. Dessa forma, Deus estabelece uma comunicação direta com a humanidade, sem qualquer tipo de mediação, apresentando-nos claramente seu projeto de vida plena para a criação, não só para a humanidade, e assim nos impele a todos, indistintamente, a fazermos nossas escolhas: mudar a condição existente e seguir Seu projeto, um novo caminho, ou continuar sob o velho projeto de dominação, de negação e de destruição da vida.

Neste sentido, o Advento, primeira etapa do ano litúrgico para a Igreja, se reveste de especial importância para todos nós, na medida em que nos chama a esperançar nossa própria fé, isto é, a nos colocar numa reflexão em que os tempos passado, presente e futuro se impõem em relação às nossas escolhas. A esperança renovada no Advento não pode, absolutamente, ser entendida como simples espera passiva para se celebrar, comemorativamente, o nascimento do Menino-Deus. Essa é a compreensão e postura comumente encontradas e alimentadas em nosso meio, o que leva à distorção da comunicação estabelecida conosco por Deus na pessoa de Jesus Cristo.

A preparação ou espírito de vigilância como sugerido no Evangelho – “vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor” – (Mt 24,42), igualmente não deve ser entendido como postura de “espera armada”, tampouco como simples revisão das práticas pessoais de vida, como se, nos preparando para um momento penitencial, fôssemos receber a graça do perdão com a celebração comemorativa do Natal do Senhor. Ao contrário, a liturgia do Advento é um chamado à caminharmos todo(a)s à luz de uma fé viva, como o próprio Jesus Cristo nos ensinou, observando seus passos, suas escolhas, suas posturas diante do projeto de dominação, de exploração e de negação da vida que Ele próprio enfrentou.

Entendido desta forma, o Advento nos leva a refletir sobre nossas práticas pessoais e coletivas, passadas e presentes, de maneira que possamos fazer acontecer, a partir de agora, sem esperar comodamente por futuro incerto, as condições de realização do projeto de vida plena, a grande Boa Nova trazida por Jesus Cristo, verdadeiro projeto de Salvação. Assim, trata-se de um período propício à ação, não como ativismo voluntarioso, pontual e inconsequente, mas como ação profética coletiva e missionária, expressão de uma escolha, de um compromisso com um projeto de vida que nos leva à emancipação, portanto, à superação da ordem vigente.

Viver o Advento é, pois, renovar a esperança, a fé e nossas energias; é sentirmo-nos encorajados no exemplo de vida deixado por Jesus Cristo, que fez, Ele próprio, suas escolhas políticas e adotou postura coerente: viveu com os pobres, colocou-se ao lado das minorias marginalizadas, dos excluídos da vida social, dos discriminados por sua condição étnica-cultural, dos injustiçados pelo ordenamento jurídico excludente, dos explorados pelas relações sociais de trabalho e de produção material da vida. Além disso, o próprio Jesus Cristo nos ensinou que o Reino de Deus pertence aos pobres e pequenos (Lc 6, 20-26), ou seja, sua Boa Nova é a de que é impossível pensarmos a realização desse Reino neste mundo (“…venha a nós o vosso Reino e seja feita a vossa vontade” – Mt 6,10) desconsiderando as injustiças sociais, as desigualdades e distâncias que separam uns dos outros, frutos de um sistema injusto, perverso, excludente e de morte.

É esta a mística que nos une a todos, não apenas no Advento, mas no quotidiano da vida, numa luta incessante, enquanto o Reino de justiça e de vida plena para todos não tiver sido alcançado. A espiritualidade do Advento nos impulsiona à ação libertadora ensinada por Jesus Cristo. E a melhor forma de glorificá-Lo pela passagem do Seu Natal é fazermos de nossas próprias vidas instrumentos de libertação, de emancipação, de conscientização. É assumirmos posição política coerente com as primeiras comunidades cristãs, que se determinaram a continuar a construção do Reino de Deus.

Por óbvio e em decorrência, isso implica lutar contra o sistema vigente, que destrói, oprime e mata; colocar-se ao lado dos mais pobres e juntos rezarmos. É na unidade que celebramos e compartilhamos, de forma eucarística, o Espírito que nos une, nos alimenta e nos fortalece para a ação. Assim entendido e vivido, o Advento é mais que espera, mais que preparação, mais que vigilância, é ação! E o Natal é mais do que uma simples comemoração do nascimento do Menino-Deus, é um chamado à transformação!

Um feliz e abençoado Natal, expressão maior de amor de um Deus que se fez humano, habitou entre nós e, conosco, nos ensinou o sentido da plenitude da vida para todo(a)s!

Diác. Antônio Lisboa Leitão de Souza
Campina Grande-PB, no dia da Imaculada Conceição
Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política

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