Análise de conjuntura – CIMI – Assembleia

Introdução

Foco inusitado: considerar o tempo da Terra e não o recorte habitual da política e da economia no âmbito do Estado brasileiro.

Terra é determinante em ultima instância!

Sem Terra não há política (nem vida)

Para isso, distinguir três planos estruturais:

  • Sistema de vida da Terra;
  • Sistema-mundo capitalista;
  • Sistema social, político e econômico do Brasil e Amazônia: alvo de guerra de 4º geração.

Sistema de vida Terra

A realidade do Planeta deve ser considerada em 1º lugar:

  • ajuda a explicar fenômenos aparentemente absurdos;
  • Se não é possível amenizar a catástrofe, é possível construir as bases de outra sociedade pós-catástrofe.

Ter em mente:

  • Tempo da Terra é longo (séculos)
  • Questão ambiental é questão política,
  • A Terra e sua comunidade de vida são sujeito da história, e não coisas.

Catástrofe climático-ambiental antes de 2050, se não forem tomadas as medidas recomendadas pela comunidade científica internacional.

Data limite para estancar o processo: 2021

Estados nacionais a serviço dos lucros das empresas, sem considerar o equilíbrio climático e ecológico. (Ex: Trump e Bolsonaro) > 6ª grande extinção de espécies.

Não é mais possível crescimento econômico de longo prazo. (Mas projeto chinês da nova rota da seda com investimento de US$5 trilhões até 2049, não considera a iminência da catástrofe ambiental).

Sofrimento da Terra afeta a humanidade

  • Pressentimento da sua extinção > ódio ao diferente, voracidade de consumo e destruição do tecido social;
  • Porém favorece a consciência da Terra como sujeito de direitos e ser vivo do qual somos parte: Carta da Terra (2000) e sabedoria de povos originários (Sumak Kawsay / Bem-Viver);
  • Greta Thumberg: > Adolescente Prêmio Nobel da Paz?
  • 27 de setembro greve mundial pelo clima;
  • Salvar a Amazônia é salvar a Terra.

Sistema-mundo capitalista em crise

Civilização ocidental moderna (capitalista, colonialista, patriarcal e antropocêntrica) perde hegemonia.

Séc. 21: Chíndia e a economia verde?

Lembrar: de Gênova (s. 15) para Amsterdã (s. 16-17), depois Londres (s.18-19), e agora N. Iorque (s. 19-20).

Em todas: financeirização do capital = crise de longa duração (fim do ciclo de acumulação do capital)

Todas as transições : “destruição criativa” = guerra.

(ARRIGHI, Giovanni: O longo século XX: dinheiro, poder e as origens de nosso tempo; Contraponto e UNESP, 1996).

Séc. 21: Fim do desenvolvimentismo (no Sul) e fechamento das economias (do Norte).

2008: crise do ciclo de acumulação puxado pelos EUA no sec. 20 > Financeirização do capital.

Megacorporações, superconcentração da riqueza e aumento da pobreza e miséria no mundo.

Polo mundial passa do Atlântico Norte ao Pacífico;

Séc. 21: Pequim, nova rota da seda e alta tecnologia.

Porém poderio militar dominante ainda é dos EUA.

Sistema-mundo capitalista

Mercado: única instituição social que escapa da crise geral.

147 grupos controlam 40% do sistema corporativo mundial, sendo 75% deles bancos.

Financiam os organismos internacionais (Ladislau Dowbor).

Paraísos fiscais abrigam : US$20 tri (do Brasil US$520 bi).

1% dos habitantes da Terra detêm riqueza igual a dos 99% restantes. (6 homens têm riqueza igual a de ½ da população mundial).

Sistema só funciona se crescer.

Problema: a Terra não cresce…

Sistema-mundo em guerra

US$ – moeda das transações internacionais apesar de EUA ter a maior dívida externa mundial.

Geopolítica: assegurar o domínio do Estado além do próprio território.

Três formas de guerra:

  • Clássicas (até 1945);
  • nuclear e extinção da espécie humana (pior hipótese);
  • localizadas, étnicas, contra drogas, terrorismo etc;
  • de 4ª geração ou híbridas.

Trump: acirra provocações à China (guerra comercial).

Guerra de 4ª geração

Toda guerra: estratégia para eliminar um poder hostil.

Novidade: o uso racional e metódico da informação.

  1. Produzir informações parcialmente verdadeiras ou falsas (fake-news) mas plausíveis para quem recebe.
  2. Difusão: Mídia (TVs, rádios e jornais), redes digitais e instituições (Igrejas, ONGs, institutos de pesquisa).
  3. Desqualificar outras fontes como corrompidas. > Informação é replicada na rede (= vírus do hacker).
  4. Deslegitimado o poder “hostil” (corrupto), pode ser derrubado por meios militares, políticos ou judiciais.

Agentes da guerra de 4ª geração

Não requer uma assembleia, nem tem comando central.

Rede de fluxos de dinheiro, poder ou informação.

Cada nodo econômico, político, cultural e militar se conecta e desliga em vista de seus próprios interesses.

Agências governamentais / fundações dos EUA formam bolsistas para pensar e atuar conforme suas leis e valores.

Alvos: Brasil, Venezuela e Irã, grandes exportadores de petróleo que se uniram economicamente à China (e Rússia) tornaram-se ameaça à hegemonia do US$.

Adaptação livre do que diz Euclides Mance em O Golpe

Guerra de 4ª geração no Brasil

Governos do PT = poder hostil para corporações dos EUA

2014: Aliança entre nodos do EUA e muito ricos do Brasil, que rompem o pacto de 2002: suspensão das reformas (agrária, fiscal, política) e a auditoria da dívida pública em troca da governabilidade e social-desenvolvimentismo.

2016: Temer executa projeto do PSDB Ponte para o futuro:

  • Exploração do petróleo por empresas privadas;
  • Política externa alinhada aos EUA.

Bolsonaro: cobertura à política ultraliberal de P. Guedes: tudo ao mercado, nada ao Estado de proteção social. No limite do anarcocapitalismo.

Os muito-ricos do Brasil

150.000.000 adultos (eleitores)
120.000.000 ganham menos de R$2.000 / mês
20.000 ganham mais de R$160.000 / mês
6.000 ganham mais de R$320.000 / mês.

São quem manda na economia de mercado.
Samuel Pinheiro Guimarães (Dados: Receita Federal)

PIB / capita: R$2.700 / mês = R$10.800 / família / mês.
Se tirar 40% de impostos = R$1.500 / pessoa / mês

Pós-guerra de 4ª geração no Brasil

Classes trabalhadoras e setores nacionalistas derrotados:

  • instituições republicanas fragilizadas.
  • estagnação da economia desde 2014.
  • classes médias e massa popular conquistadas pela mídia, redes e Igrejas de origem cristã.
  • Agressões a Partidos de esquerda, Movimentos (MST, MTST, de Indígenas, negros, mulheres, LGBT e outros), CNBB, intelectualidade, sindicatos e universidades.
  • aval à violência (policial-militar ou miliciana) contra povos originários e defensores de Direitos Humanos.

Eliminar a oposição em vez da disputa política > fascismo.

Pós-guerra de 4ª geração no Brasil

Porém, sinais de vitalidade dos derrotados:

  • Bancada na Câmara pode rejeitar PECs (com alianças); presença no Senado e conquista de Governos estaduais;
  • Resiliência de Movimentos Sociais, Povos Indígenas, Partidos de esquerda, Sindicatos e novos coletivos;
  • Oposição de intelectuais, artistas e estudantes a propostas antidemocráticas;
  • CEBs, Pastorais sociais, bispos, padres e pastores (mesmo em minoria), sustentam o
  • Cristianismo da Libertação;
  • Unidades de economia solidária, cooperativas populares e assentamentos são alternativas à economia capitalista.

Momento conjuntural do Brasil

Custo político da mudança na lei da Previdência: Rodrigo Maia ganha destaque, presidente perde;

Lava jato desmoralizada por revelação do jogo;

Mídia corporativa contra Bolsonaro (Globo poupa Moro);

Fogo na Amazônia isola Bolsonaro no mundo e diminui seu prestígio interno. Ele aumenta sua agressividade.

  • Impedimento? Falta vontade na sociedade civil.
  • Apoio militar? Até agora, FF. AA mantém seu apoio.
  • Movimentos sociais apostam em manifestações de rua.
  • Resposta virá do Congresso?

Amazônia: alvo de guerra de 4ª geração

Amazônia (água, minérios, biodiversidade e terra) deve ser explorada pelo grande capital > commodities para exportação.

Estratégia (Bolsonaro e R. Salles)

  1. afrouxar os limites legais > queimadas. Próximo passo: legalizar as terras queimadas / invadidas;
  2. privatizar reservas ambientais (como Temer tentou);
  3. implantar empresas em territórios de povos originários;
  4. Atrair capitais de fora para empresas locais;
  5. É a doutrina do choque: mercado como remédio para desastres naturais ou provocados (Naomi Klein).

Não há invasão armada, como nas guerras do passado!
Campanha de informação > empreendimentos são a salvação econômica e social da Amazônia pós-incêndios.
Grandes empresas de exportação (água, minérios, biotecnologia e agropecuária): só sede no Brasil.
Para isso: vencer a resistência de defensores dos Direitos Ambientais e Humanos contra grandes empresas.
Intuição genial do Papa Francisco: Amazônia tema do próximo sínodo da Igreja Católica, para mobilizar toda a Igreja católica do Brasil e de outros países.

Não internacionalizar a Amazônia: amazonizar o mundo

Conclusão

Perceber a geopolítica: ultraliberalismo associado ao autoritarismo (judiciário, policial e militar).
América Latina e Caribe em processo de destruição econômica, política e moral (cultural).
Cortina de ouro separa o mundo dos ricos da massa miserável > formação de uma sub-raça humana.
Mas considerar a vitalidade dos derrotados (classes trabalhadoras, povos originários, grupos de DD.HH).
“Combatentes derrotados
de uma causa invencível”.

Pedro A. Ribeiro de Oliveira - Membro da Coordenação Nacional
Pedro A. Ribeiro de Oliveira – Membro da Coordenação Nacional – Juiz de Fora MG