Conversa entre Inês Pandeló e o Movimento Fé e Política

Prezad@s companheir@s:

Fiquei muito contente em ter a oportunidade de coordenar o grupo temático sobre os movimentos sociais. Os assessores José Henrique Artigas e César Sanson foram muito bons e possibilitaram um ótimo debate com uma sala lotada de pessoas de vários recantos do país. Esta foi a opinião de todos que participaram e quero aqui expressar que na minha opinião foi a melhor oficina que participei em todos os encontros de Fé e Política que fui.

Sinceramente, devido à situação que passamos no Brasil (política com inúmeras manifestações tomando o tempo dos militantes, financeira onde as pessoas ficam inseguras em gastar e também em muitos casos de desânimo pessoal) pensei que o 10° Encontro seria muito esvaziado, por isto me surpreendi com a presença (menor que outros, mas muito maior do que eu imaginava).

Sei que na coordenação nacional sempre passa a discussão se o formato de grandes encontros ainda é válido. Quero dizer que na minha opinião continua sendo importante este formato, pois muit@s são @s que vão e saem com argumentos novos, animados e fortalecidos na fé para continuar na luta. Não existem outros espaços neste sentido no Brasil de hoje.

No Sul Fluminense, que é o lugar onde resido, fomos em 13 pessoas e saímos do 10° encontro mobilizados para fazer um encontro regional e ansiosos para saber quando e onde será o próximo encontro nacional.

Parabéns a tod@s que organizaram e participaram. Força na luta.

Abraço carinhoso,

Inês Pandeló

Carta do Assessor Artigas

Foi um prazer colaborar com o Encontro Nacional de Fé e Política. Acho que, especialmente no momento em que vivemos, a reflexão e a ação pastoral e social é muitíssimo importante. Acho que a gestão de Francisco é um avanço realmente importante para a Igreja da América Latina, uma oportunidade e um estímulo às ações de colaboração da Igreja, seja por meio do clero, seja por meio do laicato, com os movimentos sociais. Infelizmente fiquei pouco no Encontro, mas posso dizer que foi gratificante o trabalho na oficina: havia um grupo bastante plural, com relações com os mais diversos movimentos e distribuição regional, já que havia pessoas do Rio Grande do Norte, do Ceará, do Pará, de São Paulo, do Rio, da Paraíba, de Pernambuco, da Bahia e de Minas, pelo que me lembre. Embora com preponderância regional do Nordeste, o que é natural por ser sediado em Campina, o grupo expressou uma boa diversidade regional.

É ótimo poder ouvir as pessoas, pois elas expressam as angústias pelas quais estão passando em suas cidades, em suas paróquias, e é importante a troca, pois neste momento difícil da política do país, no qual os avanços sociais estão sob forte risco, muitos estão angustiados, desanimados, acuados. É preciso trazer vigor, alegria e disposição para a militância dos movimentos sociais; afinal, não lutamos pelas conquistas sociais nestas últimas décadas em vão: construímos um movimento social mais consciente, mais plural, mais disperso pelo país e mais forte. Em um momento de dificuldades é que temos que ser ainda mais fortes, solidários, unidos e organizados. Em face disso, acho que a oficina foi um bom momento para partilhar impressões, dúvidas, ansiedades, e permitir olhar o contexto de forma mais positiva.

Acho que o Encontro Nacional de Fé e Política está de parabéns: ótima organização, em um ambiente muito agradável e adequado às atividades do encontro. As salas onde ocorreram as oficinas eram excelentes. A coordenação da oficina foi ótima, pois tratava-se de uma pessoa com muitíssima experiência com os movimentos sociais e a política no Rio, e comandou a oficina e os tempos de falas de forma ótima, pois foi possível, dentro do que se propôs, recolher e trocar impressões e experiências, assim como, a partir da condução dos expositores, refletir sobre os desafios colocados para o movimento social e para os cristãos nesta circunstância tão ímpar pela qual está passando o país. Neste sentido, creio que atingimos um excelente resultado em face do proposto. Acho que todos ganhamos uma tarde. Eu espero que tenha podido corresponder aos objetivos do Encontro, mas também espero que tenha podido contribuir para a oficina e que os participantes tenham gostado.

José Henrique Artigas

João Pessoa.

Realizou-se com sucesso o 10º Encontro Nacional de Fé e Política

Pedro A. Ribeiro de Oliveira – membro da Coordenação Nacional do MF&P.

Nos dias 22 a 24 de abril encontraram-se na Universidade Federal de Campina Grande (PB) mais de 800 pessoas para a grande troca de saberes e experiências em torno ao tema Bem-viver: águas da solidariedade, sementes de esperança. Acolhidos pela Diocese de Campina Grande, que indicou para coordenador do evento o Professor e Diácono Antônio Lisboa e facilitou a captação de recursos pela Cáritas Diocesana, os e as participantes realizaram intenso programa de formação em plenário e em grupos de trabalho e dedicaram tempo especial às celebrações ecumênicas de sua Fé no Reino prometido por Jesus Cristo, o libertador.

Os e as participantes vieram de todas as regiões do Brasil. Eram pessoas das mais diferentes condições sociais: trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, estudantes, professores, jovens e velhos, de diferentes confissões cristãs e mesmo de outras tradições religiosas, mas tendo em comum o mesmo espírito militante. Diante da preocupante conjuntura brasileira, onde as principais conquistas democráticas desde 1988 estão ameaçadas, o 10º Encontro foi um momento importante de reencontros, celebrações e aprofundamento da formação.

Ao final do Encontro foi aprovada por aclamação a seguinte nota:

Nota Pública

Se também você compreendesse hoje
o caminho da Paz!
(Lc. 19, 42)

Nós, participantes do 10º Encontro Nacional de Fé e Política, viemos a público para afirmar nossa rejeição ao golpe que está sendo executado por forças antidemocráticas e antipopulares. Não aceitamos que essas forças tomem o governo federal contrariando a vontade nacional expressa nas eleições de 2014, assim como rejeitamos o modelo econômico baseado na restrição dos direitos trabalhistas, dos programas sociais e da soberania nacional.

A votação da Câmara Federal do dia 17 de abril foi uma fraude patrocinada por pessoas corruptas e pela grande mídia, porque ficou evidente não haver crime de responsabilidade cometido pela presidenta Dilma Rousseff. Repudiamos as declarações de deputados e deputadas que usaram o nome de Deus e citações da Bíblia para justificar seu apoio à ruptura constitucional.

Conclamamos as forças democráticas e populares a se manifestarem publicamente em defesa do Estado de Direito. Comprometemo-nos a nos unir a todos os movimentos e entidades do campo democrático participando da jornada contra o golpe no dia 1º de maio.

Neste momento difícil, seremos coerentes com os princípios éticos que devem guiar a ação política.

As águas da Solidariedade e as sementes da Esperança nos firmam nesse compromisso!

Campina Grande – PB, 24 de abril de 2016.