Bem Viver: Esperança, Resistência, Profecia

Bem Viver: Esperança, Resistência, Profecia
Assembleia Nacional Cáritas Brasileira - Foto: http://pi.caritas.org.br/

24ª Assembleia Geral da Cáritas Brasileira1

ABSTRACT

De 19 a 23 de novembro de 2019 aconteceu em Teresina – PI a 24ª Assembleia Geral da Cáritas Brasileira que teve com tema: “Bem Viver: Esperança, Resistência e Profecia” e como lema: “Erguei-vos e levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação” (Lc 21, 28). A reflexão que segue, feita no painel de abertura da assembleia, situa a Cáritas no contexto atual de nossa sociedade a partir dos gritos e lamentos dos pobres e da terra, confronta-a com a missão de construção do Bem Viver num processo de esperança, resistência e profecia e conclui indicando alguns pontos ou desafios fundamentais no exercício de sua missão no atual contexto histórico – uma espécie de “agenda mínima” que indica caminhos e/ou tarefas necessários e urgentes.

PALAVRAS-CHAVE: Cáritas; Bem Viver; Esperança; Resistência; Profecia.

INTRODUÇÃO

A 24ª Assembleia Geral da Cáritas Brasileira, realizada em Teresina – PI de 19 a 23 de novembro de 2019, acontece em um momento crucial da sociedade brasileira, latino-americana e mundial. E crucial no duplo sentido que essa expressão tem no cristianismo a partir da cruz de Jesus Cristo: fracasso/morte/pecado X vitória/vida/salvação. Vivemos tempos difíceis e dramáticos, onde a morte ou o pecado parece triunfar (cruz como fracasso, morte, pecado). Mas, precisamente neste tempo, somos chamados a dar testemunho de uma esperança ativa e criativa, provada na cruz, regada com sangue martirial, sustentada e dinamizada pelo Espírito Santo que, “a partir de baixo”3, vai reciclando/refazendo/recriando a vida ou construindo um “bem viver”4 através de relações novas entre as pessoas, das pessoas com a natureza, da criação com o criador (cruz como vitória, vida, salvação).

O Concílio Vaticano II recuperou da tradição patrístico-medieval uma imagem que fala da Igreja e dos sacramentos jorrando/brotando do lado aberto de Jesus Cristo na cruz (Cf. SC, 5; LG, 3) 5. Essa imagem, que é tão importante para explicitar a dimensão cristológica da Igreja e dos sacramentos, pode nos ajudar a compreender também que o lugar social da Igreja nesse mundo são os calvários da humanidade. Onde houver cruz e povos crucificados pela injustiça, opressão, marginalização, sofrimento, aí deve estar a Igreja de Jesus. Ela deve ser sempre um sinal de vida e esperança junto à humanidade sofredora. Deve testemunhar com a própria vida que os crucificados desse mundo não estão sós e que a injustiça, o sofrimento e a morte não têm a última palavra. Essa verdade fundamental da nossa fé foi formulada a partir das conferências de Medellín (1968) e de Puebla (1979) em termos de “opção preferencial pelos pobres” e tem sido retomada e reafirmada com toda força pelo papa Francisco em termos de “Igreja pobre e para os pobres” (EG, 198) ou “Igreja em saída para as periferias” (Cf. EG, 20, 30, 46, 191).

E é importante e necessário sempre de novo re-cordar e re-afirmar essa verdade fundamental de nossa fé que é tão determinante da vida e missão da Cáritas em todos os tempos e situações e, particularmente, neste momento crucial de nossa história. E faremos isso escutando os gritos e lamentos dos pobres e da terra e reafirmando nosso compromisso pascal de testemunhas da esperança na construção do “bem viver”.

I – GRITOS E LAMENTOS DOS POBRES E DA TERRA

Precisamos ver o sofrimento e a aflição de tantos filhos/as de Deus nesse mundo, ouvir seus clamores e lamentos tantas vezes silenciosos e/ou silenciados, tocar sua carne crucificada, sentir com-paixão e deixar-se co-mover por eles. Só assim, poderemos agir com misericórdia no sentido literal do termo: miseris-cor-dare, isto é, “‘dar o coração aos miseráveis’, a quantos estão em necessidade, àqueles que sofrem”6.

São muitos e diversos os rostos dos povos crucificados. E muitas e diversas são suas cruzes e formas de crucificação:

1) Antes de tudo, a situação de pobreza e miséria a que é condenada e em que vive grande parte da humanidade. Os números, escritos com lágrimas e sangue, são alarmantes. Se isso caracteriza a maior parte das sociedades que conhecemos, a ponto de ser naturalizado por muita gente (“sempre foi assim”), adquiriu em nosso tempo dimensões e proporções escandalosas e incomparáveis:

Situação mundial: enquanto a América do Norte e a Europa têm apenas 18,6% da população e concentram 67,1% de toda riqueza global, a África e a América do Sul têm 20,3% da população e detém apenas 11,1% da riqueza7; apenas 147 companhias controlam 40% da riqueza total do mundo8; enquanto 8,6% da população detém 85,3 de toda a riqueza no mundo, 69,8% da população pobre detém apenas 2,9% da riqueza9; 0,7% da população mundial detém 46% da riqueza total do mundo, enquanto 73,2% da população detém apenas 2,4% da riqueza; 1% da população tem mais riqueza do que os 99% restante; 8 indivíduos detém a mesma riqueza que a metade mais pobre do mundo; entre 1998 e 2011, a renda dos 10% mais pobres aumenta cerca de 65 dólares, enquanto a renda de 1% mais rico aumentou cerca de 11.800 dólares (182 vezes mais)10.

Situação brasileira: De 2016 para 2017 o número de pobres que vivem com até 406 reais por mês passou de 52,8 para 54,8 milhões (2 milhões a mais!) e o número de pessoas que vivem na extrema pobreza com até 140 reais por mês passou de 13,5 para 15,2 milhões de pessoas (quase 2 milhões a mais!); percentual de pobreza por regiões: nordeste (44,8%), sudeste (17,4%), sul (12,8%); quase metade da população das regiões norte e nordeste tem rendimento mensal de até meio salário mínimo; entre 2014 e 2017 o número de pessoas sem ocupação passou de 6,9% para 12,5% da população (6,2 milhões de pessoas a mais!); 40,88% da população vive de trabalho informal; os brancos ganham, em média, 72,5% mais que pretos e pardos e os homens 29,7% mais que as mulheres11; estudos parciais de 2015 estimavam mais de 100 mil pessoas vivendo em situação de rua no Brasil12

Convém advertir com Francisco que “os pobres não são número” e não podem ser reduzidos a dados estatísticos13. Por trás desses dados, como têm recordado os bispos da América Latina14, estão pessoas com rostos concretos, vidas destroçadas: camponeses, indígenas, negros, mulheres, população em situação de rua, desempregados e subempregados, moradores de favelas e periferias, vítimas do tráfico, mães desesperadas, jovens pobres e negros, migrantes, população LGBT…

2) E, ao contemplarmos esses rostos sofredores, percebemos que, junto à desigualdade social, apontada pelo papa Francisco como a “raiz dos males social” (EG, 202), aparecem outras formas de injustiça, opressão, marginalização e exclusão que, embora na maioria das vezes esteja associada à desigualdade socioeconômica, não se reduzem a ela:

– O machismo/patriarcado que se materializa em diferentes formas de dominação, violência e marginalização e que está na raiz do crescente feminicídio que tem ceifado a vida de tantas mulheres;

– O etnocentrismo que provocou verdadeiros genocídios e etnocídios em nosso continente e que continua negando aos povos indígenas o direito a seus territórios e tratando suas culturas com seus modos de vida, com suas sabedorias e tradições religiosas como atraso, superstição e empecilho ao desenvolvimento e ao progresso;

– O racismo que escravizou e assassinou milhares de negros, que demonizou suas culturas e tradições religiosas, que os “libertou” das senzalas para viver na miséria e que, camuflado pela falsa democracia racial, continua marginalizando o povo negro a ponto de “ofender/diminuir alguém” ter se tornado sinônimo de “tratar como negro” (denegrir);

– A homofobia que tem causado tanto sofrimento interior, tanto preconceito e exclusão social e eclesial, tanta violência psíquica, espiritual, verbal e física e, cada vez mais, o assassinato cotidiano (com requintes de crueldade) a pessoas LGBTs.

3) A todos esses gritos, e não raras vezes nesses gritos, acrescente-se o grito da natureza, da mãe terra, espoliada e reduzida a recurso e/ou instrumento de acumulação do capital, com consequências trágicas para os pobres que vivem nas periferias e áreas de riscos e para as futuras gerações. Os pobres são as primeiras e as principais vítimas da crise ecológica e das catástrofes ou, para sermos mais precisos, dos crimes ambientais15. Daí a insistência do papa Francisco em sua Encíclica Lautado Si’ sobre o cuidado da casa comum em uma “ecologia integral” que tem como um de seus eixos fundamentais “a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta” (LS, 16). Nesta perspectiva, “uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres” (LS, 49; cf. LS, 53, 117).

Certamente, essa situação não vem de hoje. Mas ela tem se agravado enormemente nos últimos anos com a onda de neoconservadorismo e de governos de extrema direita no Brasil, na América Latina, nos EUA e na Europa e, o que é pior e mais grave, com respaldo de amplos setores das Igrejas cristãs. E isso exige de nós, como Igreja, muito mais lucidez, firmeza e ousadia no testemunho pascal da vitória da vida sobre a morte nos calvários e junto aos crucificados de nosso tempo.

II – CONSTRUINDO O “BEM VIVER”

É muito significativo que nesse contexto dramático e quase trágico, que poderíamos descrever com o teólogo sul-africano Alberto Nolan como uma “época de desesperança”16, esta Assembleia Geral da Cáritas tenha como texto iluminador, inspirador e provocador esse trecho do discurso escatológico de Jesus no Evangelho segundo Lucas: “Erguei-vos e levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação” (Lc 21, 28).

Lucas conclui a narrativa da ação de Jesus em Jerusalém com um discurso escatológico ou um discurso sobre o fim (Cf. Lc 21, 5-36)17. O anúncio da destruição do templo (Cf. Lc 21, 5-6) e da cidade de Jerusalém (Cf. Lc 21, 20-24) é uma ocasião para recordar que ainda não é o fim (Cf. Lc 21, 8-9) e que há um longo caminho até que o Filho do Homem volte com poder e glória (Cf. Lc 21, 25-28). Até lá, a comunidade cristã deve dar testemunho de Jesus Cristo, enfrentando perseguições e mostrando perseverança.

Com esse discurso, “Lucas pode redimensionar a perspectiva escatológica, seja a dos fanáticos que esperam com impaciência o fim, seja a dos decepcionados e resignados que não esperam mais nada”. Ele “relembra a uns e outros a necessidade do empenho [no tempo] presente” que é “o tempo do testemunho em meio às perseguições violentas, [da] confiança e [da] esperança perseverante na espera da libertação com a vinda gloriosa do Senhor ressuscitado”18. O resultado desse discurso, como afirma Casalegno, “é evitar que os cristãos vivam agitados e inquietos, afastando-se dos seus compromissos históricos”19.

Isso que vale para a comunidade de Lucas, abalada com o cerco de Jerusalém e a destruição do templo pelo império romano, vale também para nós hoje, abalados com o poder mortal do império neoliberal e seus servidores dentro e fora das Igrejas. É tempo de morte. Tempo de destruição. Noite escura dos pobres e seus aliados. Mas não o fim nem é hora de pessimismo e de resignação! Pelo contrário. É tempo de esperança. É tempo de resistência. É tempo de profecia! E este é o sentido e a importância histórico-espiritual dessa Assembleia Geral da Cáritas, cuja missão é “Testemunhar e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, defendendo e promovendo toda forma de vida e participando da construção solidária da sociedade do Bem Viver, sinal do Reino de Deus, junto com as pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social”.

Essa tarefa histórico-espiritual que constitui a missão da Cáritas está formulada, em comunhão com os povos indígenas e vários movimentos e organizações populares, em termos de construção do “Bem Viver”20. Esta expressão, proveniente do mundo andino, remete ao modo de vida de povos que viveram e vivem em harmonia uns com os outros, com a natureza e com Deus e, no contexto de crise de civilização que vivemos, emerge e se impõe como provocação e convocação à imaginação e ao empenho na construção de uma nova civilização.

A expressão “Bem Viver” não indica um modelo ou um projeto pronto e acabado a ser aplicado em qualquer tempo e lugar. É, antes, uma provocação e um chamado à construção de formas de vida que permitam às pessoas viverem em paz umas com as outras, com a natureza e com Deus21. E essa tarefa tem uma dimensão crítica e uma dimensão criativa.

É, antes de tudo, uma crítica radical à “civilização capitalista” com seu projeto desenvolvimentista e sua lógica de progresso ilimitado22, conservada intacta, inclusive, pelos regimes “progressistas” mais recentes na América Latina23.

Mas é também e acima de tudo uma tarefa criativa de construção de uma nova civilização, marcada pela “desmercantilização da natureza como parte de um reencontro consciente com a mesma natureza”24 e pela “passagem de uma concepção antropocêntrica a uma concepção sociobiocêntrica”25 que possibilite a construção de “modos de vida que não sejam regidos pela acumulação do capital”26. E isso implica tanto desbloqueio e liberação da “dimensão utópica” que nos permite sonhar e imaginar outras possibilidade e formas de vida27, quanto construção de “alternativas a partir de uma enorme multiplicidade de experiências cujos elementos referenciais – a vida em comunidade e a relação harmoniosa com a natureza – constituem a base fundamental para uma vida digna”28.

Convém insistir com Alberto Acosta que “o Bem Viver não sintetiza nenhuma proposta totalmente elaborada, menos ainda indiscutível”. É “um caminho que deve ser imaginado para ser construído” e que de alguma forma “já é realidade” em muitos cantos da terra29. Ele “deve ser considerado como parte de uma longa busca de alternativas de vida forjadas no calor das lutas populares”30. Uma busca que “recolhe o melhor das práticas, das sabedorias, das experiências e dos conhecimentos dos povos e nacionalidades indígenas”31, as “contribuições da vida comunitária não indígena que encontrou formas de sobrevivência dentro dos próprios sistemas dominantes de colonização que já dura mais de quinhentos anos”32 e que “integra (ou ao menos deveria integrar) também diferentes visões humanistas e anti-ultilitaristas provenientes de outras latitudes”33.

Com o propósito fundamental de “superar o sistema capitalista enquanto ‘civilização da desigualdade’ […] e, sobretudo, enquanto sistema essencialmente predatório e explorador”, o Bem Viver, “inscreve-se na linha de uma mudança civilizatória”34, forjada e construída “a partir de baixo” pelos “setores populares e marginalizados”35 e “com os pés fincados nos Direitos Humanos e nos Direitos da Natureza”36.

Neste sentido, está em profunda sintonia com a provocação e o chamado do Papa Francisco em sua Carta Encíclica Laudato Si’ sobre o cuidado da casa comum. A ecologia integral (Cf. LS, 137-162), que tem como características fundamentais a interligação íntima entre todos os seres (Cf. LS, 16, 138), a relação entre natureza e sociedade (Cf. LS, 16, 49, 53, 117, 139) e a “opção preferencial pelos pobres” (Cf. LS, 158), bem pode ser tomada como outro nome ou como outra expressão do Bem Viver. Em ambos os casos, está em jogo a construção de modos de vida fundados e regidos por relações harmoniosas entre os seres humanos e entre os seres humanos e o conjunto da natureza e que têm como critério a justiça socioambiental (Cf. LS, 36, 51, 195)37 e como medida o clamor/gemido/grito dos pobres e da terra (Cf. LS, 49, 53, 117).

Em ambos os casos, mais que uma questão social, econômica, política, cultural, ecológica, está em jogo uma questão estritamente espiritual que diz respeito à obra criadora de Deus e seu desígnio salvífico para a humanidade e que foi formulado pelo papa Francisco em termos de “Evangelho da criação” (Cf. LS, 62-100)38. O cuidado da casa comum, que implica tanto enfrentamento de tudo que produz injustiça socioambiental e atenta contra o conjunto da criação e a igualdade e fraternidade entre os seres humanos (pecado) quanto busca e construção de formas de vida que possibilitem a fraternidade entre os seres humanos e entre eles e toda a criação (salvação), é uma tarefa estritamente espiritual e constitui o cerne da missão cristã no mundo. E a fidelidade a esta missão, sobretudo nessa hora dramática e quase trágica que vivemos, exige de nós, como recorda o tema desta assembleia, esperança, resistência e profecia.

1) Antes de tudo, esperança. A esperança é uma dimensão fundamental da vida humana. Aquela dimensão que faz de nossa vida uma obra inacabada e uma tarefa permanente. É a dimensão utópica da vida. Aquilo que nos desinstala, que nos mobiliza, que nos põe a caminho. A esperança é uma “necessidade ontológica” e, enquanto tal, um “imperativo existencial e histórico”. Sem esperança a vida humana se torna impossível. “A desesperança nos imobiliza e nos faz sucumbir ao fatalismo onde não é possível juntar as forças necessárias ao embate recriador do mundo”. Por isso mesmo, dizia Paulo Freire: “sem poder negar a desesperança como algo concreto e sem desconhecer as razões históricas, econômicas e sociais que a explicam, não entendo a existência humana e a necessária luta para fazê-la melhor sem esperança e sem sonho”39. O homem é “um ser da esperança que, por ‘n’ razões, se tornou desesperançado”40. Mas a esperança renasce sempre de novo, quando menos se espera e de onde menos se espera. E a razão última ou a fonte última dessa esperança, como bem explicitou o papa Francisco na encíclica Laudato Si’, é a presença salvífica e re-criadora do Espírito de Deus no mundo. Ele “encheu o universo de potencialidades que permitem que, do próprio seio das coisas, possa brotar sempre algo novo” (LS, 80). Por isso, diz o papa, “nem tudo está perdido”. Não se pode esquecer que, “os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também se superar, voltar a escolher o bem e regenerar-se, para além de qualquer condicionamento psicológico e social que lhe seja imposto”. Nada é definitivo nesse mundo. “Não há sistemas que anulem, por completo, a abertura ao bem, à verdade e à beleza, nem a capacidade de reagir que Deus continua a reanimar no mais fundo dos nossos corações” (LS, 205).

2) Esperança e resistência. Sem a esperança que desbloqueia e libera nossa imaginação e nossas forças vitais não é possível construir a sociedade do Bem Viver ou da ecologia integral. Mas ela sozinha não transforma o mundo. Não basta querer e sonhar. É preciso ousar, arriscar, inventar… Nas palavras de Paulo Freire, “a esperança é necessária, mas não é suficiente […]. Pensar que a esperança sozinha transforma o mundo e atuar movido por tal ingenuidade é um modo excelente de tombar na desesperança, no pessimismo, no fatalismo”41. A esperança que transforma o mundo é a esperança ativa, a esperança que se faz resistência e luta cotidiana. Resistência crítica: na denúncia, no enfrentamento e na luta contra toda forma de opressão, injustiça, exploração e negação de direitos. Resistência criativa: na construção de novos padrões e novas formas de atividade econômica (agroecologia, economia solidária, tecnologias sociais etc.), de novas relações de gênero, da cultura da solidariedade, de articulação das forças populares, de cultivo da dimensão místico-espiritual. Todo esse processo de resistência crítico-criativa é marcado por uma tensão fecunda e insuperável entre o “ideal utópico” e sua “moderação realista”. O “ideal utópico” impede o fatalismo, o conformismo e a resignação diante das injustiças, bem como o pragmatismo político que é fruto de conchavos e negociatas com as elites. A “moderação realista”, por sua vez, “sem perder seu ideal utópico, fundamentalmente ético, o modera conforme as possibilidades históricas”42. Isso exige lucidez, discernimento e sabedoria. A vida não funciona na base do “tudo ou nada”. Um passo para frente ou mesmo para trás pode ser decisivo para novas conquistas. E, de novo, é importante perceber a dimensão estritamente espiritual desse processo, através do qual o Espírito do Senhor, que é Espírito de vida e que “atua a partir de baixo”, vai reciclando, refazendo, recriando a vida43.

3) Esperança, resistência e profecia. Profecia não é adivinhação do futuro nem profeta é alguém que advinha o futuro, como se ele estivesse desde sempre determinado, como se fosso uma sina ou um destino. No sentido bíblico44, profeta é quem anuncia a Palavra de Deus em circunstâncias muito concretas e normalmente adversas. É alguém profundamente sintonizado com Deus (a quem é fiel) e com seu ambiente (a quem anuncia a Palavra de Deus). Sua missão consiste em atualizar a Palavra e os desígnios de Deus para o seu povo em uma hora e em uma situação bem concretas. No centro da atividade profética está a denúncia da injustiça e a exigência de justiça aos pobres e oprimidos: “os profetas são pessoas que expressam a exigência de justiça de Deus”45. O verdadeiro profeta “é aquele que sabe mostrar onde está na sua época, a justiça e a injustiça, onde estão os pobres e como estão clamando”46. De modo que a profecia nem é uma palavra abstrata e genérica (que vale e que se entende independentemente do contexto em que é exercida) nem muito menos neutra (que se coloca acima dos conflitos, que não toma partido nos conflitos). Toda profecia tem calendário e geografia e, em última instância, constitui-se como defesa da causa e dos direitos dos pobres como causa e direitos do próprio Deus. Ela se efetiva como “contraste crítico do anúncio da plenitude do Reino de Deus com uma situação histórica determinada”47. Esse contraste “manifesta os limites e, sobretudo, os males de uma determinada situação histórica”, vai “desenhando o futuro desejado, cada vez mais de acordo com as exigências e os dinamismos do Reino” e evita que a utopia “se converta em uma evasão abstrata do compromisso histórico”48. E, neste sentido, a profecia se constitui como caminho ou método de construção de uma nova ordem mundial: enfrentamento das situações concretas de injustiça e opressão, defesa dos pobres e luta pela justiça em situações bem concretas.

A MODO DE CONCLUSÃO: AGENDA MÍNIMA

A construção do Bem Viver ou da Ecologia Integral (ou como se queira chamar…) é o desafio ou a tarefa mais importante da humanidade em todos os tempos e situações. Mas isso se torna particlularmente necessário e urgente em tempos de crise como o que estamos vivendo. E tempos de crise são por excelência tempos de esperança, de resistência e de profecia.

Concluindo essa reflexão, convém indicar alguns pontos ou desafios fundamentais no exercício dessa missão histórico-espiritual que nos toca, como instituição eclesial, assumir e dinamizar nesse momento crucial de nossa história – uma espécie de “agenda mínima” que indica caminhos e/ou tarefas necessários e urgentes.

Um primeiro desafio, de ordem psiquico-espiritual, diz respeito à tentação ao desânimo e ao pessimismo (Cf. EG, 81-86). Os enormes desafios de nosso tempo, a sensação de impotência diante deles e, não raras vezes, o burocratismo e ativismo que vão tomando conta de nossas instituições acabam provocando desânimo e pessimismo. O “desânimo” vai desenvolvendo uma “psicologia do túmulo” que nos transforma em pessoas e grupos “desiludidos com a realidade, com a Igreja e consigo mesmos” (EG, 83). O “pessimismo estéril” produz a “sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e mal-humorados desencantados” (EG, 85). Frente a essas tentações, o Papa Francisco faz um duplo apelo: “Não deixemos que nos roubem a alegria” (EG, 8)! “Não deixemos que nos roubem a esperança” (EG, 86)! Está em jogo, aqui, o cultivo da dimensão espiritual que mantém vivas nossa alegria e nossa esperança, mesmo nos momentos mais dificeis da vida e/ou da história. Para isso, é fundamental a oração pessoal e comunitária, a memória das lutas, dos profetas e dos mártires da caminhada, a celebração permantente das lutas nas vitórias e derrotas, nos momentos de alegria e de tristeza ou desanimo…

Um segundo ponto diz respeito à atenção aos sinais e/ou focos de resistência em nossos terrirórios. A dependência financeira da cooperação internacional e de recurso público ou privado acaba determinando e amarrando de tal modo a atuação e a agenda da Cáritas que quase não deixa espaço e abertura para apelos e processos uegentes não previstos nos projetos e nas agendas da instituição. Sem falar no excesso de planeamento que não raras vezes leva a um burocratismo infrutifero e enfadonho (excesso de reuniões, comissões, redes, relatórios). É claro que não se pode desconsiderar a necessidade e o peso das entidades financiadoras nem a importância do planeamento e mesmo dos aspectos burocráticos na vida da Cáritas. Mas é preciso buscar um dinamismo e um planeamento mais flexiveis e criativos que, sem deixar de responder às demandas e exigências das entidades financiadoras e dos projetos financiados, responda acima de tudo aos desafios e exigências de cada território. Isso exige discernimento das demandas e dos processos em cada terrirório para não se cair num ativismo estéril e exige ousadia e criatividade na adequação dos projetos e dos recursos aos novos desafios e processos.

Um terceiro ponto tem a ver com a necessidade e dificuldade de articular demandas e processos locais e específicos com a luta permanente pela trasformação das estrutras da sociedade. E aqui a tentação é dupla: um discurso abstrato e esteril de transformação da sociedade sem nenhuma mediação concreta ou entregar-se de corpo e alma a determinados projetos, necessários e importantes, descuidando da luta mais estrutural. Assim, por exemplo, podemos nos encantar e gastar tanta energia com a disseminação de tecnologias sociais, como as cisternas de placa, que acabamos perdendo de vista ou não investindo o suficiente na luta por uma politica hidrica estrutural mais justa. Enquanto o governo financiava a construção de cisternas para os pobres (uma especie de bolsa água), a política hidrica do Estado estava toda voltada para o agro-hidro-negócio (barragens, transposição, perimetros irrigados, hidrelétricas etc.). O desafio aqui é desenvolver projetos concretos que respondem a necessidades e direitos fundamentais como parte de um processo mais amplo e permanente de luta pela transformação da sociedade. Está em jogo uma melhor articulação do emergencial com o estrutural (Cf. EG, 188, 202ss).

Por fim, atenção ao caráter processual e social da consquista de direitos e da transformação da sociedade. A conquista de direitos e a transformação da sociedade são tarefas processuais e permantes. Não se dão na base do tudo ou nada nem de uma vez por todas. Dependem da conjuntura, da correlação de forças e das reais possibilidades com que se conta em cada momento. Isso exige realismo e sabedoria nos processos sociopolíticos. Um elemento fundamental aqui é a correlação de forças. Em boa medida, a força e os resultados de uma luta dependem da articulação com diversos setores da sociedade: organizações populares, Igrejas, ONGs, universidades, meios de comunicação social. Certamente, isso não se dá sem ambiguidades, tensões e conflitos, mas sem isso é praticamente impossível alguma transformação da sociedade. Dai a importância e atualidade permanetes do apelo de Dom Helder às “minorias abraâmicas” – pessoas e grupos que, “em todos os recantos da terra, dentro de todas as raças, todas as linguas, todas as religiões, todas as ideologias”, se dedicam a “construir um mundo mais justo e mais humano”49: “Uni-vos, Minorias Abraâmicas”50. Ninguém solta a mão de ninguém!

Tudo isso nos ajudará a perseverar na esperança, na resitência e na profecia, ensaiando e construindo a civilização do Bem Viver ou da Ecologia Integral – “sinal e instrumento” do reinado de Deus nesse mundo. Sempre nos passos de Jesus, no poder do Espírito, em companhia dos profetas e mártires da caminhada e na fidelidade aos pobres da terra.

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_____. Mensagem para o III Dia Mundial dos Pobres. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/poveri/documents/papa-francesco_20190613_messaggio-iii-giornatamondiale-poveri-2019.html

FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2011.

_____. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

PIÉ-NINOT, Salvador. Introdução à eclesiologia. São Paulo: Loyola, 1998.

POCHMANN, M. Desigualdade econômica no Brasil. São Paulo: Ideias & Letras, 2015.

SANTO AGOSTINHO. Comentário aos Salmos: Salmos 101-105. São Paulo: Paulus, 1998.

_____. A Cidade de Deus. Parte II. Petrópolis: Vozes, 2013.

SCHWANTES, Milton – MESTERS, Carlos. Profeta: saudade e esperança. São Leopoldo: CEBI, 1989.

SICRE, José Luís. Profetismo em Israel: o profeta, os profetas, a mensagem. Petrópolis: Vozes, 2008.

SOLÓN, Pablo (org.). Alternativas sistêmicas: Bem viver, decrescimento, comuns, ecofeminismo, direitos da mãe terra e desglobalização. São Paulo: Elefante, 2019.

TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica: III Parte – questões 60-90. Volume 9. São Paulo: Loyola, 2006.

1 Conferência feita no painel de abertura da Assembleia.

2 Doutor em teologia pela Westfälischhe Wilhelms-Universität Münster – Alemanha; professor de teologia da Faculdade Católica de Fortaleza (FCF) e do PPG-Teo da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP); presbítero e vice-diretor da Cáritas da Diocese de Limoeiro do Norte – CE; Emeil: axejun@yahoo.com.br; ORCID: http://orcid.org/0000-0001-8142-3280

3 Cf. CODINA, Victor. El Espíritu del Señor actúa desde abajo.. Maliaño, 2015.

4 Cf. ACOSTA, Alberto. O bem viver: Uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Autonomia Literária, Elefante, 2016; ACOSTA, Alberto – BRAND, Ulrich. Pós-estrativismo e decrescimento: Saídas do labirinto capitalista. São Paulo: Elefante, 2018; SOLÓN, Pablo (org.). Alternativas sistêmicas: Bem viver, decrescimento, comuns, ecofeminismo, direitos da mãe terra e desglobalização. São Paulo: Elefante, 2019.

5 Cf. SANTO AGOSTINHO. Comentário aos Salmos: Salmos 101-105. São Paulo: Paulus, 1998, Sl 127, 7; 138, 2; SANTO AGOSTINHO. A Cidade de Deus. Parte II. Petrópolis: Vozes, c. XVII; TOMAS DE AQUINO. Suma Teológica III, q. 64, a. 2, ad 3; PIÉ-NINOT, Salvador. Introdução à eclesiologia. São Paulo: Loyola, 1998, p. 59-61.

6 PAPA FRANCISCO. “Discurso às Misericórdias da Itália e aos Grupos ‘Fratres’ no 3º aniversário da audiência com o Papa João Paulo II” (14/06/2014). Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2014/june/documents/papa-francesco_20140614_confederaz-misericordie-d-italia.html

7 Cf. POCHMANN, M. Desigualdade econômica no Brasil. São Paulo: Ideias & Letras, 2015, p. 50s.

8 Cf. Ibidem, p. 57.

9 Cf. Ibidem, p. 62s.

10 Cf. DOWBOR, L. A era do capital improdutivo. São Paulo: Outras Palavras, 2017, p. 27ss.

12 Cf. IPEA. Estimativa da População em Situação de Rua no Brasil. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/23298-sintese-de-indicadores-sociais-indicadores-apontam-aumento-da-pobreza-entre-2016-e-2017

14 Cf. Puebla (31-39), Santo Domingo (178), Aparecida (402).

15 Cf. AQUINO JÚNIOR, Francisco de. Teologia em saída para as periferias. São Paulo: Paulinas, 2019, p. 111-115.

16 Cf. NOLAN, Albert. Esperanza en uma época de desesperanza y otros textos esenciales. Santander: Sal Terrae, 2010, p. 21-31.

17 Cf. FABRIS, Rinaldo – MAGGIONI, Bruno. Os Evangelhos (II). São Paulo: Loyola, 1992, p. 200-203; CASALEGNO, Alberto. Lucas: À caminho com Jesus missionário. Introdução ao terceiro evangelho e à sua teologia. São Paulo: Loyola, 2003, p. 173.

18 FABRIS, Rinaldo – MAGGIONI, Bruno. Op. cit., p. 202.

19 CASALEGNO, Alberto. Op. cit.

20 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit.

21 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 48, 77, 181.

22 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 51-74.

23 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 72, 100s, 121.

24 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 244.

25 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 247s.

26 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 36.

27 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 48, 206

28 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 18.

29 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 77.

30 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 78.

31 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 84.

32 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 85.

33 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 92-95.

34 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 80.

35 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 82.

36 Cf. ACOSTA, Alberto. Op. cit., p. 29.

37 Cf. ACSELRAD, Henri – MELO, Cecilia Campello do Amaral – BEZERRA, Gustavo das Neves. O que é justiça ambiental. Rio de Janeiro: Garamand, 2009.

38 Cf. AQUINO JÚNIOR, Francisco. “Fé cristã e superação da crise ecológica: Abordagem teológica”. In: MURAD, Afonso – TAVARES, Sinivaldo. Cuidar da casa comum: Chaves de leitura teológicas e pastorais da Laudato Si’. São Paulo: Paulinas, 2016, p. 24-39.

39 FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2011, p. 14.

40 FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996, p. 81.

41 FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança. Op. cit., p. 14s.

42 ELLACURÍA, Ignacio. “Una nueva fase en el processo salvadorenho”. In: Veinte años de historia en El Salvador (1969-1989). Escritos Políticos III. San Salvador: UCA, 1993, p. 1855-1897, aqui p. 1888.

43 Cf. AQUINO JÚNIOR, Francisco. Organizações populares. São Paulo: Paulinas, 2018.

44 Cf. SICRE, José Luís. Profetismo em Israel: o profeta, os profetas, a mensagem. Petrópolis: Vozes, 2008; ASURMENDI, Jesus. O profetismo: das origens à época moderna. São Paulo: Paulinas, 1988; SCHWANTES, Milton – MESTERS, Carlos. Profeta: saudade e esperança. São Leopoldo: CEBI, 1989; COMBLIN, José. A profecia na Igreja. São Paulo: Paulus, 2009; ELLACURIA, Ignacio. “Utopía y profetismo desde América latina: un ensayo concreto de soteriología histórica”. In: Escritos Teológicos II. San Salvador: UCA, 2000, 233-293.

45 COMBLIN, José. Op. cit., p. 33.

46 COMBLIN, José. Op. cit., p. 255.

47 ELLACURÍA, Ignácio. Op. cit., 237.

48 Ibidem, 237s.

49 CÂMARA, Dom Helder. O deserto é fértil. Roteiro para as Minorias Abraâmicas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975, p. 9.

50 Ibidem, p. 75.

Francisco de Aquino Júnior
Doutor em teologia pela Westfälischhe Wilhelms-Universität Münster – Alemanha; professor de teologia da Faculdade Católica de Fortaleza (FCF) e do PPG-Teo da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP); presbítero e vice-diretor da Cáritas da Diocese de Limoeiro do Norte – CE; Emeil: axejun@yahoo.com.br; ORCID: http://orcid.org/0000-0001-8142-3280