Uma estrela em meio aos perigos

por Roberto E. Zwetsch.

Sinos de Comunhão.
Meditação – Dezembro 2018

Quando viram a estrela, eles ficaram muito alegres e felizes”
Mateus 2.10

Há muitas narrativas da história de Natal nos evangelhos, mas esta de Mateus 2 é uma das mais conhecidas. Nesta época do ano ruas, comércio, bancos, empresas e também igrejas ficam coloridas de vermelho e dourado, cores que marcam o período natalino. Aqui vamos meditar sobre a visita daqueles sábios do Oriente que vieram à Palestina para encontrar o menino anunciado a eles em sonho. Este menino seria o futuro rei dos judeus. Ao buscarem informações junto ao rei Herodes, este ficou completamente alarmado, diz o texto. Quem teria a ousadia de contestar o seu poder sobre Israel? E depois de tantos acordos feitos com o Império Romano? Não! Este menino não poderá viver. Ele deve ser eliminado.

Assim começa a história de Natal no evangelho de Mateus. Não se trata de diminuir a idade penal. É mais grave ainda. Pois o poder dominante não admite sequer a vida de um bebê que poderia se tornar o novo rei dos judeus, justo e verdadeiro. A narrativa que segue, após a visita dos sábios, é ainda mais terrível, pois o governante decide mandar matar preventivamente milhares de crianças. É possível imaginar atrocidade maior que esta? Ora, isto tem nome, lá atrás e hoje também: genocídio!

Nas histórias de Natal encenadas nas comunidades, estas notícias geralmente não aparecem, ficam dissimuladas. Mas estão lá nas primeiras páginas do evangelho. Dignos de louvor, lá estão os sábios de outros povos e sua fidelidade à mensagem dos anjos que os conduziram até a gruta de Belém. Nela eles encontraram o menino, sua jovem mãe e o pai na maior pobreza, sem qualquer pompa ou segurança. Diante do menino, eles se prostram extasiados com o que veem e sentem. Uma estrela os conduziu. Uma estrela sinal dos céus e brilhando numa noite fria como é comum até hoje na Palestina.

O menino é Jesus, a mãe, a jovem Maria, e o pai, o bravo José, carpinteiro de profissão, homem honrado e justo. É bem estranho que na história de Natal encontramos – em meio a maior pobreza – três presentes bem distintos: ouro, incenso e mirra. Ouro como sinal de realeza, poder, mas também do amor. Incenso como sinal de sacralidade. Mirra como perfume aromático e unguento terapêutico. O menino recebe presentes que são sinais de sua vida futura. No caso da mirra, por exemplo, é uma planta originária da África, o que pode significar que Jesus foi incensado com perfume africano ao nascer.

A história de Natal, para além do glamour dos comerciais, é uma narrativa cheia de perigos. Mas justamente em meio aos perigos de morte, o Deus vivo protegeu o casal e os sábios. Aquele rei cruel foi enganado. O menino, porém, sobreviveu ainda que à custa da morte de muitos. Um prenúncio trágico que o seu futuro iria comprovar na cruz do Império. Mas ainda assim, com ele veio a Paz, o shalom da justiça, da graça e do amor que supera todo entendimento. É esta paz amorosa e salvadora que celebramos quando nos encontramos, como os sábios do Oriente, aos pés do menino na manjedoura. Neste espírito, desejamos às comunidades um Feliz Natal!

Roberto E. Zwetsch é professor de Teologia Prática das Faculdades EST em São Leopoldo (RS) e pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Foto: http://www.est.edu.br