(RE)ENCONTROS DE ESPERANÇA

(RE)ENCONTROS DE ESPERANÇA

“Neste7 de novembro de 2015, quando o Trem das CEBs, com o seu 28º vagão, estacionou na Comunidade Sagrado Coração de Jesus da Rede de Comunidades Sagrado Coração de Jesus, no bairro Harmonia de Canoas, para um Encontrodas Comunidades Eclesiais de Base da Arquidiocese de Porto Alegre, celebramos e reafirmamos o nosso compromisso com a vida, e muita vida para todas e todos” , diz a Carta das Comunidades aprovada no Encontro.

O Trem das CEBs saiu em alegre dança: mãos no ombro do irmão e da irmã, do companheiro e da companheira, serpenteando entre cadeiras, mesas e cantando com fé e esperança a vida e a solidariedade e o tema do 28º CEBs:‘CEBs, Fermento de Transformação da Sociedade’. 250 pessoas estiveram reunidas para conversar sobre a conjuntura, fazer oficinas sobre fé e política, “essa forma importante de viver o amor”; a dimensão inter-religiosa; a sustentabilidade econômica e ambiental; as questões de gênero e juventude, em especial as periferias existenciais e sociais.

A 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) aconteceu em Brasília de 4 a 6 de novembro de 2015, com a presença de 1600 delegadas/os e 300 convidadas/os, entre os quais a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, este proclamado Presidente de Honra do CONSEA, tendo como tema central COMIDA DE VERDADE NO CAMPO E NA CIDADE: DIREITOS E SOBERANIA ALIMENTAR. A Conferência teve muito debate e alto astral.

Maria Emília Pacheco, presidenta do CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), falou na abertura da Conferência: “Temos nesse auditório uma inequívoca amostra da força da articulação social e da diversidade da agenda de segurança e soberania alimentar e nutricional. Com a Conferência, é hora de reafirmar compromissos, analisar avanços e percursos e ousar apresentar novas proposições para o segundo Plano nacional de SAN. O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU, mas ainda registra os piores índices de segurança alimentar e nutricional em diversossegmentos. Políticas como o Plano de agricultura familiar não devem se afastar de suas populações originais e de princípios democráticos e participativos, assim como o plano de agricultura urbana e periurbana não pode estar desarticulado da construção de uma política de abastecimento. Avançamos na política internacional Sul-Sul, levando cooperação para que diversos países incorporem o princípio de SAN e da participação social. É preciso prosseguir com as políticas redistributivas.”

Os tempos são, ou parecem ser, de descrédito e desesperança. Pelo menos é o que se vê e lê na maioria das manchetes e espaços dos meios de comunicação e da chamada opinião pública. Ódio, intolerância, corrupção, individualismo, discriminações, preconceitos de vários tiposparecem predominar na vida das pessoas, comunidades, famílias, sociedade.

Mas aí você para o lado e descobre que há flores no caminho, há grama verde na estrada, há luz no horizonte, há pessoas que brilham, há comunidades que transpiram esperança, há sonhos na juventude que se mobiliza. O jurista e advogado defensor dos pobres, Jacques Alfonsin, disse no Encontro Arquidiocesano de CEBs: “A nossa fé tem força. A verdade não está no que os grandes meios de comunicação pregam todos os dias. O nosso poder está a serviço da vida.”

O Trem das CEBs é o símbolo que carrega ahistória dos Encontros das CEBs. Mostra o longo caminho que ainda deve ser percorrido para a construção do Reino de igualdade para todos. As Conferências são um espaço de participação e de construção coletiva das políticas públicas, num país e num continente onde, cada vez mais, os de baixo têm protagonismo, garantem direitos e constroem igualdade e democracia.

Eu e as/os 250 participantes do Encontro de CEBs cantamos ao final – e não poderia ser diferente- (assim como poderiam cantar as/os 2000 delegadas/os e convidadas/os da Conferência de SAN), o hino‘Utopia’, de Zé Vicente: “Quando o dia da paz renascer,/ quando o sol da esperança brilhar,/ eu vou cantar./ Quando o povo nas ruas sorrir/ e a roseira de novo florir,/ eu vou cantar./ Quando as cercas caírem no chão,/ quando as mesas se encherem de pão,/ eu vou cantar./ Quando os muros que cercam os jardins,/ destruídos, então os jasmins/ vão perfumar./ Quando as armas da destruição,/ destruídas em cada nação,/ eu vou sonhar./E o decreto que encerra a opressão,/ assinado só no coração/ vai triunfar./ Quando a voz da verdade se ouvir/ e a mentira não mais existir,/ será enfim/ tempo novo de eterna justiça,/ sem mais ódio sem sangue ou cobiça/ vai ser assim. Vai ser tão bonito se ouvir a canção,/ cantada de novo/ no olhar da gente a certeza do irmão,/ reinado do povo.”

Selvino Heck

Assessor Especialda Secretaria de Governoda Presidência da República

Em treze denovembro de dois mil e quinze

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