‘NUNCA DANTES!’- #EleNão!

por Selvino Heck

Num país chamado Brasil, no ano da graça de 2018, aconteceu algo extraordinário. As mulheres brasileiras não só mostraram coragem, mas, principalmente, consciência política, capacidade de mobilização, amor à democracia.

Nunca antes nesta ‘terra brasilis’ viu-se algo igual. Houve canto, houve alegria, houve mística, houve fraternidade. No Parque da Redenção em Porto Alegre, jovens mulheres misturavam-se com mulheres criança, que riam e choravam com mulheres que já não costumavam mais sair de casa, que confraternizavam com mulheres de todas as idades, de todas as latitudes, de todas as regiões, de todos os cantos e esquinas do tempo e do mundo. Foram dezenas de milhares, debaixo das árvores, ao sol que finalmente voltou a brilhar, correndo, brincando, ouvindo as falas e os cantos, a capoeira e o samba, o vanerão e o forró, dançando nos abraços da vida, celebrando a resistência.

Todas e todos que estavam no Parque estavam felizes, como fazia tempo não estavam, reencontravam amigas e amigos, companheiras e companheiros, choravam e riam, sabiam que estavam onde deviam estar e de onde nunca mais deveriam sair, cidadãs portadoras de direitos, brasileiras, latino-americanas, cosmopolitas, mulheres do tempo e do mundo.

A paz reinou em todo país. Não houve violência, não houve assassinato de mulheres, não houve estupros, não houve feminicídios em ato algum, com 1 milhão de mulheres nas ruas, nas praças, nos parques, nos becos, nas avenidas, em pequenos e grandes municípios, no campo e na cidade. O medo, o ódio, a intolerância não vencerão, nem eleitoralmente, nem politicamente, nem simbolicamente.

A eleição de 2018 será marcada pela mobilização das mulheres e por um dia em especial, 29 de setembro, quando o Brasil se vestiu de roxo, de branco, de violeta, de vermelho, de azul, de todas as cores, rostos unidos, corpos abraçados, consciências em festa.

Havia/houve/haverá unidade. Havia/houve/haverá diversidade: mulheres de diferentes partidos juntas, mulheres com diferentes candidatos dando-se as mãos, mulheres sem partido e ainda sem candidato abraçadas, mas todas, todas, TODAS dizendo/proclamando/anunciando, para quem quisesse ouvir e saber em qualquer recando do universo: #EleNão!.

Neste momento histórico, democratas que são contra a desigualdade, que são contra a fome, a miséria, a violência, que são a favor da liberdade, que querem paz, que lutam pela vida e pela democracia estão chamados a se unir, como fizeram as mulheres no 29 de setembro e em muitos outros dias, numa jornada que será registrada no futuro, que ficará para a História. Como nunca antes, as mulheres da ‘terra brasilis’, solidárias, generosas, libertárias, mostraram, com sua voz e gestos, sua coragem e felicidade, o caminho da esperança.

Selvino Heck Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990) Em quatro de outubro der dois mil e dezoito
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