Nota da Comissão Brasileira de Justiça e Paz

Em reunião oficial realizada em 22 de abril, o presidente da República e seus ministros afrontaram o Poder Judiciário, ameaçaram prender governadores e ministros do STF, indicaram interesse em destruir as leis de proteção ambiental, destilaram ódio às populações indígenas, quilombolas e ciganas. Demonstraram vontade de interferir na Polícia Federal para proteger familiares e amigos do presidente. Presenciamos, de maneira crua e vulgar, discursos autoritários e ataques diversos à democracia.

Em meio a uma epidemia que está causando perdas de milhares de vidas humanas e grande sofrimento para as famílias, é uma afronta assistir à cúpula do governo tratar dos mais variados assuntos, mas mencionar somente uma vez a crise sanitária. Enquanto a população sofre com a doença, o desemprego, a carestia e ampliação da fome, observamos o egoísmo de um governo preocupado em salvar a si próprio.

O momento é de unidade nacional para proteger a população brasileira, principalmente os mais pobres e desassistidos, e, a cada dia, evidencia-se que o governo não está à altura de coordenar essa tarefa.

Essas situações são inconcebíveis em uma democracia e devem ser repudiadas e penalizadas imediatamente. São comportamentos que ameaçam o Estado Democrático de Direito, revelam a prática continuada de crimes e carregam o agravante de produzirem efeitos diretos contra o povo, em meio à mais grave crise de saúde dos últimos cem anos, que está levando à morte mais de mil pessoas por dia.

A hora é de unidade dos humanistas, democratas e movimentos sociais para o afastamento do presidente e modificação deste governo que ameaça a vida e que deseja destruir a Constituição e a democracia.

Comissão Brasileira Justiça e Paz