Nos caminhos da Sinodalidade

Nos caminhos da Sinodalidade
Dom Adriano Ciocca Vasino e Dom Pedro Casaldáliga (Imagem: Pragmatismo Político)

O Sínodo sobre a Amazônia foi o fato mais importante para a Igreja católica neste ano: tanto na etapa preparatória quanto durante sua realização o mundo foi estimulado a olhar a Amazônia como a realidade que mais interpela o Mundo neste século 21. Ali está sendo decidido o nosso destino, porque a Humanidade enfrentará uma verdadeira catástrofe se perdermos o equilíbrio ambiental, biológico e intercultural que ali foi construído durante muitos séculos, mas no último século tem sido rompido pelo avanço do capitalismo – agora em sua fase mais predatória.

Diante dessa realidade, é muito importante manter a mobilização suscitada pelo Sínodo para que ele não fique apenas como um evento bonito que acaba esquecido.

Um exemplo vem da Prelazia de São Félix do Araguaia, que há 50 anos enfrenta perseguições do agronegócio e – lamentavelmente – também de gente da própria Igreja, inclusive bispos e cardeais. Na linha traçada por seu primeiro bispo, o mártir-profeta Pedro Casaldáliga que irradia energia e Esperança apesar do parkinson, o atual bispo, D. Adriano Ciocca, nos dá notícias da recente Assembleia da Prelazia. Relata, numa carta: “os 126 participantes em sua grande maioria vieram para participar com a disposição de assumir um compromisso sério na caminhada. Sábado à noite e domingo pela manhã vieram delegações de todos os municípios da Prelazia e houve o lançamento do livro do Canuto (atualmente na CPT nacional) sobre a história do Vale do Araguaia. Concluímos com uma bonita celebração e o almoço comunitário. Se como Igreja entrarmos de cheio neste compromisso de mudar o paradigma sócio-econômico neoliberal filofascista para o paradigma de sobriedade e cuidado carinhoso com o planeta, e fizermos isso aliando-nos com todos os homens e mulheres de boa vontade de todos os povos e credos, creio que alguma mudança significativa acontecerá”.

Assim se aplica a experiência de comunhão eclesial, que foi o Sínodo em Roma!

Infelizmente, ainda são raras as dioceses que seguem o modelo sinodal que Francisco propõe para a Igreja em saída, na linha do Concílio Ecumênico Vaticano II. Mas sabemos que é nas bases que as mudanças criam raízes e ali não é preciso pedir a bênção de bispo ou de padre para formar grupos comprometidos com o projeto da Justiça e Paz na Casa Comum. Alimentados pela Palavra de Deus e por relações de amizade – como Jesus estabeleceu com seus discípulos e discípulas – somos capazes de incidir positivamente no processo global de estabelecer uma civilização planetária integralmente ecológica. E assim, salvando a Amazônia, nos salvaremos a nós mesmos.

Que o tempo do Advento, que estamos vivenciando, nos dê a força necessária para vencer os – muitos – obstáculos que temos pela frente nessa grande caminhada!

Pedro A. Ribeiro de Oliveira - Membro da Coordenação Nacional
Pedro A. Ribeiro de Oliveira – Membro da Coordenação Nacional – Juiz de Fora MG
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