Painel: Entendendo as Crises

ROTEIRO DA REFLEXÃO PROPOSTA POR ALDER JÚLIO F. CALADO

BUSCANDO ENTENDER AS CRISES COM DISCERNIMENTO E ALTERNATIVIDADE, ABERTOS AO QUE O ESPÍRITO TEM A NOS DIZER

– Como seres humanos, como cidadã(o)s e como cristã(o)s, somos chamados a compreender e transformar incessantemente nossa realidade, a despeito de toda sua complexidade e dos nossos limites.

– Um primeiro passo como condição para uma intervenção transformadora da mesma realidade, à luz do Reinado de Deus e Sua justiça, consiste em analisá-la com critérios inspirados em nossa fé. Nesse sentido, vale a pena refrescar a memória com algumas passagens bíblicas e da Tradição de Jesus, que nos trazem luz, na busca de cumprimento desta tarefa:

  • Que horizonte de sociedade somos chamados a ir construindo, e que “atalhos” (a tentação da “porta larga”) somos chamados a recusar?
  • Is 65, 17ss; Jl 3,1-2; Mc 10, 42-45 (“Entre vocês não seja assim.”); Lc 4, 16-19;

– Buscar construir esse horizonte, por quais caminhos?

  • 1 Ts 5, 19-21 (“Examinem tudo e fiquem com o que é bom”); Jo 8, 31-32 (“Vocês conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”); “apostar no que dá certo”: Mt 7, 24-29 (“… e ela não desabou, porque estava construída sobre a rocha.”); Mc 4,22 (caminhos de transparência: “Nada há oculto que não venha a ser revelado”); Tg 2,24 (a fé sem obra é morta); Mt 7,16 (Atenção aos sinais: “Por seus frutos, vocês os conhecerão”); os riscos dos “atalhos”: Mt 7,13: (“Procurem entrar pela porta estreita, porque larga é a porta e amplo o caminho da perdição”)

Critérios fecundos de análise da realidade a não perdermos de vista:

–  observar a diversidade de correntes de interpretação da realidade (não apenas de autores; não ler apenas textos simpáticos à nossa aposta);

– seguir balizas de interpretação nas quais sejamos os primeiros a ver nossas próprias práticas, antes de “enquadrar” os outros;

– confrontar práticas, escritos e ditos de hoje com práticas, escritos e ditos de ontem ou décadas precedentes (em situações semelhantes de época recente, como nos comportamos?)

– priorizar, desde já e continuamente, experiências moleculares portadoras de alternatividade, quanto ao:

  • horizonte e caminhos inspirados dos valores do Reino de Deus e Sua justiça;
  • processos organizativos (experiências de nucleação, autonomia e interconexão dos núcleos; protagonismo do conjunto dos participantes, decisões tomadas pela base; atenção ao critério da delegação, alternância de cargos e funções coordenativas;);
  • processo formativo (contínuo, não apenas de dirigentes, mas do conjunto dos protagonistas, cultivo da memória histórica e dos bons clássicos, cultivo da mística revolucionária; exercício da autocrítica; valorização da criatividade, inclusive por meio do universo artístico…)
  • processo de mobilização como expressão da formação contínua);
  • ir além da formação estritamente política, rumo a uma formação integral – do ser humano como um todo e de todos os seres humanos, buscando o aprimoramento incessante de suas potencialidades e superação progressiva dos seus limites.
  • ante a atual crise (também) de identidade de Classe (em linguagem cristã, dizemos Povo de Deus, em especial, povo dos pobres chamado à Liberdade), repensar, com autocrítica, essa situação.

Questões que ainda me(nos) coloco:

= De lado a lado, será que o tempo conjuntural é mesmo o mais propício para firmarmos, de modo contundente, nossas convicções, sem deixarmos qualquer margem de dúvida (dada nossa condição de seres inconclusos que, aí, aparece mais vulnerável)?

= Que críticas tecemos, com razão, contra o “outro lado” que, de repente, sentimos presentes também em nossas próprias práticas?

= Que tal buscarmos restituir nossas esperanças em bases mais consistentes, investindo mais e melhor em experiências de ontem e de hoje que se revelam prenhes em alternatividade a este modelo hegemônico?

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