Carta do Assessor Artigas

Foi um prazer colaborar com o Encontro Nacional de Fé e Política. Acho que, especialmente no momento em que vivemos, a reflexão e a ação pastoral e social é muitíssimo importante. Acho que a gestão de Francisco é um avanço realmente importante para a Igreja da América Latina, uma oportunidade e um estímulo às ações de colaboração da Igreja, seja por meio do clero, seja por meio do laicato, com os movimentos sociais. Infelizmente fiquei pouco no Encontro, mas posso dizer que foi gratificante o trabalho na oficina: havia um grupo bastante plural, com relações com os mais diversos movimentos e distribuição regional, já que havia pessoas do Rio Grande do Norte, do Ceará, do Pará, de São Paulo, do Rio, da Paraíba, de Pernambuco, da Bahia e de Minas, pelo que me lembre. Embora com preponderância regional do Nordeste, o que é natural por ser sediado em Campina, o grupo expressou uma boa diversidade regional.

É ótimo poder ouvir as pessoas, pois elas expressam as angústias pelas quais estão passando em suas cidades, em suas paróquias, e é importante a troca, pois neste momento difícil da política do país, no qual os avanços sociais estão sob forte risco, muitos estão angustiados, desanimados, acuados. É preciso trazer vigor, alegria e disposição para a militância dos movimentos sociais; afinal, não lutamos pelas conquistas sociais nestas últimas décadas em vão: construímos um movimento social mais consciente, mais plural, mais disperso pelo país e mais forte. Em um momento de dificuldades é que temos que ser ainda mais fortes, solidários, unidos e organizados. Em face disso, acho que a oficina foi um bom momento para partilhar impressões, dúvidas, ansiedades, e permitir olhar o contexto de forma mais positiva.

Acho que o Encontro Nacional de Fé e Política está de parabéns: ótima organização, em um ambiente muito agradável e adequado às atividades do encontro. As salas onde ocorreram as oficinas eram excelentes. A coordenação da oficina foi ótima, pois tratava-se de uma pessoa com muitíssima experiência com os movimentos sociais e a política no Rio, e comandou a oficina e os tempos de falas de forma ótima, pois foi possível, dentro do que se propôs, recolher e trocar impressões e experiências, assim como, a partir da condução dos expositores, refletir sobre os desafios colocados para o movimento social e para os cristãos nesta circunstância tão ímpar pela qual está passando o país. Neste sentido, creio que atingimos um excelente resultado em face do proposto. Acho que todos ganhamos uma tarde. Eu espero que tenha podido corresponder aos objetivos do Encontro, mas também espero que tenha podido contribuir para a oficina e que os participantes tenham gostado.

José Henrique Artigas

João Pessoa.

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